“Você devia gostar, foi um elogio!”

“Você devia gostar, foi um elogio!”

Produção: Raiane Rezende 

As mulheres não experienciam as ruas do mesmo jeito que os homens. As mulheres precisam pensar diversas vezes em quais roupas usarão, como se caminhar até a esquina fosse um grande evento. Um rápido passeio traz  o risco de serem apontadas, julgadas e objetificadas como os homens quiserem.

Ao caminhar nas ruas, as mulheres se preocupam com horário, caminho tomado, companhia, além de precisar comunicar aos amigos onde estão. A chave de casa vai entre os dedos, os passos são apressados, o olhar para trás de vez em quando é necessário. Não se deve cumprimentar ninguém que não se conhece, e é preciso ignorar um “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” porque não se sabe as intenções que podem existir por trás de tal cumprimento. Chegar à porta de casa o mais rápido possível é uma pequena grande vitória. 

Sim, isso é um pouco do que as mulheres vivem diariamente nas ruas do mundo, inclusive, em Mariana. 

O assédio sexual sofrido nas ruas acarreta uma série de emoções desagradáveis  por dois motivos: As mulheres não querem ser objetificadas e tampouco sabem quais assédios são apenas desagradáveis e quais deles podem resultar em violência física, inclusive estupro. 

O LAMPIÃO aplicou um formulário online sobre o assédio sexual nas ruas de Mariana: Das 80 respostas obtidas, 79 mulheres disseram já terem sido assediadas. 

Assédio sexual não é elogio, é crime desde setembro de 2018 e tem tipificação como  importunação sexual pela Lei 13.718: ‘‘Praticar contra alguém e sem sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou de outrem’’. E deve assim ser registrado pela polícia e nunca ignorado. 

Sentir como o assédio incomoda só pode ser possível pela experiência própria, mas para compreender que esse desconforto existe é importante conhecer a opinião de quem está sujeito a ele. Para isso, o LAMPIÃO produziu um compilado, em áudio, de experiências reais relatadas por mulheres que vivem em Mariana e contribuíram com nossa pesquisa. As repórteres Raiane Rezende e Gabriela Paiva dão voz aos relatos e dados coletados.