Violentada, mas não silenciada

Violentada, mas não silenciada
Texto: Bárbara Alvina / Vídeo: Luan Carlos, Uriel Silva e Vinícius Magalhães / Casting: Karla Ribeiro, Karine Bibiano e Paula Lima

São 6.499 casos registrados de violência contra a mulher em Minas Gerais, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos que podem ser acessados aqui. De janeiro a julho de 2018, foram registrados 79.661 relatos de violência contra a mulher no Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher.

Ainda de acordo com esse levantamento, em Minas Gerais, foram registradas pelo  menos 36 denúncias diárias de violência contra a mulher, no primeiro semestre de 2018. Em Ouro Preto, segundo o extrato de ocorrências da Polícia Militar da cidade,  foram contabilizadas 453 ocorrências de violência doméstica no período de janeiro até 17 de outubro de 2018. Existem também, 690 inquéritos abertos na Delegacia de Polícia Civil da cidade e uma média de 60 a 70 pedidos de medida protetivas por mês.

Falta da Delegacia da Mulher em Ouro Preto e Região

A delegada de justiça de Ouro Preto, Adriana Ferreira Pereira, afirma que existe demanda para a construção da Delegacia da Mulher, uma vez que são muitos os casos de violência doméstica em toda a região, o que inclui Mariana e Itabirito. Adriana acrescenta que, apesar de entender a necessidade, é necessário investimento político na pauta.  “Enquanto não tem, os atendimentos em Ouro Preto são feitos aqui e nós temos uma equipe preparada para prestar essa assistência, tem delegada, escrivão e investigador que cuidam só dos casos de violência contra mulher”, ressalta a delegada.

Estes inquéritos tratam de violência doméstica e familiar, além de violências física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Não consideram apenas violências praticadas por cônjuges, mas também irmãos, ex-maridos, ex-namorados, pais, filhos, avôs, netos e toda violência que tenha sido originada por um homem. É importante mencionar que, em grande parte dos casos, as mulheres não se sentem confortáveis ou encorajadas para fazer a denúncia, o que aponta para um número ainda maior de agressões diariamente.

A delegada Adriana ressalta, que é fundamental denunciar. “É importante vir; a gente vai dar todo o apoio. Nós entendemos que nesse tipo de caso a vítima está vulnerável, em uma situação delicada. Ela vindo aqui vai se sentir melhor, vai denunciar e fazer justiça”, comenta.

Denuncie

A denúncia pode ser feita pelo número 180, na Central de Atendimento à Mulher. Este serviço, segundo o Portal Oficial do Governo Federal, funciona 24 horas por dia e conta com mais de 250 mulheres preparadas para falar com as  vítimas. São três tipos de atendimento: pedidos de informação sobre leis e campanhas; orientações de como conseguir advogados de defesa, informações sobre casas de abrigo ou onde registrar boletins de ocorrência e a denúncia propriamente dita. Após a autorização da vítima, a denúncia é encaminhada para o Ministério Público e Secretaria de Segurança Social.

Para mulheres que denunciam a violência sexual sofrida, a Santa Casa De Ouro Preto oferece assistência psicológica e serviço social. O objetivo principal é tornar o atendimento o mais humanizado possível, para isso, os profissionais que realizam a assistência à vítima são preparados para lidar com esses casos.