Tráfego pesado prejudica casas na Dom Silvério

Uma das principais ruas da cidade sofre com trânsito de veículos de grande porte; rachaduras e deslocamento de telhas estão entre os problemas apontados pelos moradores

Texto: Bruno Campos | Foto: Domingos Gonzaga, Elis Cristina e Suzane Pinheiro

Composta por casarões seculares, a Dom Silvério é uma das principais ruas de Mariana e dá acesso à praça Minas Gerais, ponto turístico da cidade. No dia 14 de maio, Maria de Lourdes Antunes Santos, moradora da rua há aproximadamente 40 anos, fez uma reclamação junto à Câmara dos Vereadores a respeito do tráfego de caminhões e outros veículos de grande porte, como vans, SUVs, caminhonetes e 4×4. Esses veículos, ao passarem por ali, abalam as estruturas das casas, causam trepidação, rachaduras, deslocam telhas – o que, em períodos de chuva, geram goteiras e danificam bens materiais.

Intenso. Da varanda de casa, Maria de Lourdes sente o tremor do fluxo de automóveis

 

A reclamação foi encaminhada para o Departamento Municipal de Trânsito e de Transportes (Demutran). O departamento enviou um ofício para a casa de Maria de Lourdes e marcou uma reunião, que aconteceu no dia 23 de maio.  A moradora conta que, no encontro, foi estipulada uma segunda reunião. Nela, os órgãos responsáveis iriam apresentar uma resolução para o problema. O segundo encontro ocorreu quase um mês depois, no dia 21 de junho. Ao contrário do que ficou combinado, nenhuma resolução foi apresentada. A Câmara marcou então, uma terceira reunião para o dia 1o de agosto. Até lá, a situação se mantém a mesma.

Questionado sobre uma possível vistoria nos lares afetados, Eliabe de Freitas, chefe do Departamento de Trânsito, informou que essa função não compete ao Demutran, e sim, à Defesa Civil. Ele citou, ainda, um caso ocorrido em uma casa no bairro Chácara, onde houve reclamação referente ao aumento do fluxo de veículos. Após vistoria, foi confirmado que a falha estava nas estruturas do imóvel e que não foi causada pelo trânsito.

Eliabe ressaltou que a principal complicação está na regulamentação de pesos e medidas desses veículos de grande porte. “Algumas formas de sanar o problema seriam a implementação de sinalização por meio de placas, que será feita a partir do segundo semestre deste ano, ação de portaria na entrada da cidade para fiscalizar se os veículos cumprem as normas e uma campanha educativa de conscientização dos comerciantes que usam veículos de grande porte para realizar os serviços”.

Estragos. Na casa de Marília Queiroz a estrutura também está comprometida

Responsabilidade de quem?

Além de Maria de Lourdes, o LAMPIÃO conversou, também, com Marília Queiroz Camillo, Arley da Graça Camillo e Marlene de Souza Maia. Moradores da Dom Silvério, todos têm reclamações semelhantes. Contam que as casas precisam passar por reformas periódicas que geram gastos e fogem do planejamento financeiro.

Segundo Eleonardo Lucas Pereira, engenheiro civil e professor do curso de Engenharia Urbana da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), vários fatores podem causar essas complicações estruturais. Peso do veículo, da carga transportada, a velocidade e a distância entre a casa e a rua. Para determinar com precisão se as casas da Dom Silvério são afetadas por esse fluxo, Eleonardo disse que teria de fazer uma vistoria aprofundada com testes específicos,  mas diz que é possível que o trânsito cause rachaduras e deslocamentos nas casas. O professor ressalta que as fundações dessas edificações não foram dimensionadas para suportar efeitos de vibração.

O LAMPIÃO procurou os órgãos responsáveis, e encontrou o que parece ser um jogo de empurra entre Demutran, Defesa Civil e Secretaria de Obras. Até o fechamento desta matéria, o jornal não obteve nenhuma resposta conclusiva. O Iphan alegou que o que cabia ao órgão foi feito. Estando de “mãos atadas”, informa que não pode fazer nada além de  cobrar a prefeitura. Defesa Civil e Secretaria de Obras não responderam à reportagem.

Veículos de grande porte
Fissura. Marcas causadas por abalos podem ser vistas em algumas residências