UBM Ouro Preto é alternativa à falta da Delegacia da Mulher

UBM Ouro Preto é alternativa à falta da Delegacia da Mulher

A União Brasileira de Mulheres é uma entidade política que atua em Ouro Preto com o objetivo de promover a igualdade de gênero

Texto: Yasmine Feital | Fotos: Comunicação UBM

A Constituição Federal foi um marco na história do país. Em 1988, o processo de redemocratização no Brasil abriu portas para o funcionamento do Estado e para a participação de forças sociais que foram afastadas e martirizadas durante muito tempo. Foi no mesmo ano, em agosto, que a União Brasileira de Mulheres (UBM) foi formada. Porém, a história da luta feminina teve início um pouco antes, no ano de 1982.

Caminhando para o fim do regime ditatorial no país, com a Lei da Anistia e o fim do bipartidarismo, surgiram uniões estaduais de mulheres. A primeira foi formada em Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, pela ex-deputada federal Jô Moraes (PCdoB). Os movimentos de mulheres cresciam mesmo durante o período da ditadura. Sendo assim, constituir a primeira União deu força a outros estados para também formarem suas próprias organizações de resistência.

Depois de 27 anos, em 2015, Débora Queiroz, que já se envolvia em questões da luta feminina, entrou em contato com a organização estadual da UBM e estabeleceu uma unidade em Ouro Preto. Débora, que se tornou presidenta da seção local, conta que a ideia de fundá-la surgiu do incômodo com “a forma que [a reivindicação de uma delegacia da mulher] estava se constituindo, que não correspondia com as nossas posições políticas naquele momento […] apesar de ter sido uma movimentação importante”. Isso porque, para ela, é preciso “fortalecer e organizar as mulheres […] e construir políticas públicas para, então, resultar na delegacia”.

A União luta, segundo Débora, pela organização política das mulheres. Por isso, as principais pautas que regem as ações da UBM são relacionadas à constatação de uma baixa representatividade feminina no poder. Débora afirma que “a ausência de políticas públicas e de equipamentos para as mulheres contribui para que a violência aconteça com as moradoras e visitantes”. O LAMPIÃO entrou em contato com a Delegacia de Polícia Civil de Ouro Preto, questionando os números de denúncias e boletins registrados na cidade, mas até o momento não obteve resposta.

Ações da UBM

Glauciene Oliveira, estudante de jornalismo, conta que conheceu a organização durante uma roda de conversa, em 2017. Hoje ela é parte da entidade. Para ela, o maior objetivo da organização é “fazer uma UBM popular, que dá voz a quem precisa ser ouvido, que atinge quem precisa de ajuda. Não somos uma entidade que só discute academicamente”.

Débora Queiroz afirma que a organização se opõe a todos os tipos de violência. Além disso, a entidade realiza reuniões mensais abertas à comunidade e possui dois eixos de atuação: O de conscientização (rodas de conversa e mesas de debates sobre assuntos diversos) e o de mobilização (projetos que visam reunir todas as mulheres). O “Somos todas Marias”, por exemplo, vai até as periferias da cidade para debater as opressões que as moradoras sofrem. Segundo Glauciene, este projeto é de extrema importância, já que “[a UBM] entra em um bairro super carente de discussões feministas”, com o intuito de “unir as mulheres universitárias e ouropretanas em uma luta conjunta”.

A presidenta Débora conta que a União trabalha juntamente com o governo na proposição de projetos de leis, realização de mesas de debates com candidatas e conversas com governadoras e governadores. Além disso, a UBM, em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), planeja rodas de conversa mensais sobre temas que afetam diretamente as estudantes, como raça e classe, maternidade, violência contra a mulher e depressão. As alunas podem relatar suas vivências, o que também caracteriza o projeto como uma ouvidoria. Glauciene diz que propostas como essa, “que abordam a questão do diálogo e da denúncia”, são opções a que as estudantes possam recorrer.

Além da UBM, outras entidades, como o Movimento de Mulheres Olga Benário e o Núcleo de Investigações Feministas (NINFEIAS), também atuam em Ouro Preto com o intuito de apoiar as mulheres da cidade. As organizações se unem em determinados atos, como no Dia Internacional da Mulher, uma vez que suas lutas priorizam o empoderamento feminino.