Setor alimentício: crise e oportunidades

Setor alimentício: crise e oportunidades

Hudson Dutra mudou de cidade e profissão para criar o Coxinha D’Ouro

Sara Nonato

FOTO DA EQUIPE COXINHA D’OURO

(arquivo pessoal)Hudson Dutra é engenheiro mecatrônico e mineiro de Belo Horizonte Por dez anos, atuou na área de produção de peças automotivas, calibração e equipamentos na cidade de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. 

Em 2018, Hudson decidiu se mudar para Ouro Preto e empreender em um ramo totalmente diferente do que havia estudado e trabalhado: o alimentício. Assim surgiu a Coxinha D’ouro,  empresa criada em parceria com sua sócia Camila Freitas. 

Como um engenheiro mecatrônico decidiu começar a vender coxinhas? Hudson explica: 

A ideia veio em uma conversa entre amigos. Um deles fazia uma coxinha muito saborosa, uma massa levinha com um toque de açafrão. Minha sócia, Camila, sugeriu que poderíamos pegar essa receita para fazer coxinhas menores e vender nos copos. Assim nasceu o sonho de vender coxinhas.

Apesar de já estar há algum tempo no mercado antes da pandemia, a Cozinha D’ouro também foi afetada  pela  crise. O fundador conta que o primeiro desafio foi a diminuição das vendas devido à insegurança dos consumidores em relação a como ficaria a questão financeira nos primeiros meses. Depois, a marca ainda passou por mais uma adversidade: o perfil de seus consumidores era majoritariamente formado pelos estudantes que, em sua maioria, não moram em Ouro Preto e retornaram para suas cidades, o que também ocasionou queda das vendas. A partir disso, a empresa passou a usar as redes sociais como forma de conquistar um novo público. 

Outro desafio tem sido  manter os preços dos produtos em meio à crise econômica. A equipe faz pesquisa de mercado, avalia o preço a cada três meses e, quando necessário, promove reajustes. Hudson explica que, apesar da alta nos  insumos principais para a produção das coxinhas, a empresa optou por não alterar nada no produto, principalmente por já ter uma clientela fidelizada: 

Nosso produto continua o mesmo, mesmo sabor, mesmo tamanho, mesmas variedades. Não alteramos nada nisso, pois acreditamos que já temos uma clientela recorrente e satisfeita com nosso produto.

Camila e Hudson conseguiram superar a crise inicial, se manter no mercado e até obter um crescimento significativo durante a pandemia. Um dos motivos é que a marca já atuava apenas via delivery, o que não fez com que eles precisassem mudar muito o processo de produção e venda quando surgiram as medidas sanitárias para prevenção da Covid-19. Para Hudson, os clientes que ficaram em casa durante a quarentena, encontraram, no delivery de comida, uma “distração’:

Sim, as pessoas vivendo em isolamento social começaram a pedir mais delivery.  Isso aconteceu conosco, pois elas não podiam e nem tinham opções para se divertir e alimentar fora de casa. Começamos a observar que muitos clientes, chamados carinhosamente por nós de Coxilovers,  faziam pedidos  várias vezes por semana.

Atualmente, a equipe já pensa em expandir o negócio para a capital do estado e também começar a vender franquias da marca. 

 

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