Reservatório abandonado no bairro Água Limpa

Texto: Franciele Maria da Silva / Fotos: Franciele Maria da Silva e Amanda Alves

O reservatório Padre José Rocha Filgueiras, mais conhecido como Reservatório III, localizado entre as Ruas Sargento Francisco Lopes e Tomé de Vasconcelos, no Bairro Água Limpa, há anos encontra-se sem manutenção. Para Arlindo Vieira Gomes, morador do bairro há 46 anos, “o reservatório está em total abandono, os órgãos públicos não fazem a manutenção, está abandonado mesmo”.

O Reservatório III apresenta ferragens expostas e janelas e portas em estado de deterioração, permitindo, assim, que animais tenham acesso ao seu interior; partes do telhado já não existem mais, o que permite a  entrada de água da chuva e de sujeiras. Seu terreno está coberto por mato, terra e materiais antigos que eram usados no próprio reservatório. Com capacidade de armazenamento de 510 metros cúbicos de água, o reservatório é responsável por abastecer os bairros Rosário, parte do Centro, Antônio Dias e Cabeças, além de outro reservatório localizado na Rua Professor Alberto Barbosa, bairro São Cristóvão.

Segundo o superintendente do Serviço Municipal de Água e Esgoto de Ouro Preto (Semae), Julio Cesar Corrêa, a falta de manutenção do reservatório “já vem de anos”, contudo, ele afirma que já foi recuperado e, hoje, se encontra “nessas condições devido ao vandalismo da comunidade”. “Essa caixa (d’água) já foi recuperada no passado e há pouco tempo o vandalismo chegou e se transformou no que está hoje”, diz.

Morador do bairro há 45 anos, José Efigênio Mendes afirma que há mais de 15 o reservatório se encontra abandonado. “O espaço está sujo, com muitos animais, não tem limpeza, não tem nada. O telhado está todo caindo, a água de chuva entra na caixa d’água, contaminando a água”, conta. Além disso, ele diz que já fez reclamações diretas aos órgãos públicos, mas nada foi feito. “Eu já fui diversas vezes reclamar no Semae, na Prefeitura e o retorno não acontece”. Também Arlindo Gomes diz que já reclamou, mas nunca foi feito nada a respeito. “Já fiz várias reivindicações para reforma, mas só tem promessas e não cumprem. Eu conheço o reservatório desde criança e hoje o que a gente tá reivindicando é a manutenção dele”, alega.

Crise Financeira

Quando questionado sobre as reclamações dos moradores para a manutenção do local, Júlio César esclarece que o Semae não consegue trabalhar devido à crise que o país enfrenta e que a recuperação da área só será possível a partir de um convênio. “Hoje a gente não consegue trabalhar em questão da função financeira, não só do Semae, da autarquia, como da cidade de Ouro Preto, como de quase todas as cidades mineiras. Se não tivermos um convênio, com o dinheiro que está sendo repassado pelo Estado de Minas Gerais, nós não vamos conseguir fazer”, pontua. Sobre a qualidade da água no reservatório, ele garante que não há contaminação, pois são realizadas análises semanais. “As análises são feitas semanalmente, então não há uma contaminação, não há nada que torne a água imprópria para o consumo”, esclarece.