Protestos na abertura da Campanha da Fraternidade

O evento, cujo tema é “Fraternidade e Políticas Públicas”, contou com a participação da população e de autoridades públicas que se manifestaram contra o decreto de calamidade financeira em Mariana

Texto: Yasmine Feital | Foto da capa: Paula Lima

A apresentação da Campanha da Fraternidade 2019 aconteceu no dia 27 de março, no Colégio Providência, no centro de Mariana, e foi marcada por discussões acerca do decreto de calamidade financeira, publicado dia 26, no Diário Oficial do Município. A decisão foi tomada após a paralisação das Minas de Alegria e Timbopeba, ambas pertencentes à Vale. Com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas”, o encontro foi realizado pela Paróquia Nossa Senhora do Carmo e reuniu a comunidade marianense e representantes do governo da cidade.

O cônego Nedson Pereira, representante da instituição religiosa, falou sobre o dever do envolvimento e estudo, por parte da comunidade, sobre o decreto, uma vez que a mesma também seria afetada por ele. Marise Maria dos Santos, moradora de Mariana e membra da Igreja, fez um apelo aos políticos: “Infelizmente eles [políticos] não olham para os marianenses valorizando o que eles têm de melhor. Porque Mariana não é rica só de minério, ela é rica porque tem pessoas ricas. Ricas de talento”.

Na mesa, organizada para o diálogo sobre a campanha, estiveram presentes também o chefe de Gabinete do prefeito Duarte Júnior (PPS), Igor Gomes, e os vereadores Juliano Duarte (PPS), Cristiano Silva (PT) e Bruno Mól (MDB). Além deles, o secretário de Desenvolvimento Social, Juliano Barbosa, e outros nomes. Todos falaram sobre a campanha, retomando sempre o cenário da crise econômica que Mariana estaria vivendo, explicitando, também, opiniões pessoais.

Bruno Mól afirmou que o decreto assusta possíveis investidores que trariam emprego e renda para Mariana. Além disso, ao mesmo tempo em que os cortes são direcionados à área da saúde, educação e transporte, “[o prefeito] mantém os altos cargos comissionados dentro da estrutura”. Segundo o vereador, as merendas escolares, remédios e cirurgias eletivas seriam alguns dos recursos cortados, além do programa Jovem Aprendiz e o desligamento dos estagiários da Prefeitura. Já Igor Gomes disse que o decreto impediria “que o município fizesse diversas ações e investimentos”, e que a interrupção das atividades da Vale afetaria “grandemente” a cidade.

No dia dois de abril, o prefeito anunciou, em coletiva de imprensa, a revogação do decreto. A medida foi tomada após acordo entre a Prefeitura da cidade e a Vale, segundo Duarte. O LAMPIÃO está acompanhando os desdobramentos acerca da revogação do decreto.