Projetos de extensão da Ufop reforçam o compromisso da universidade com a comunidade

Projetos de extensão da Ufop reforçam o compromisso da universidade com a comunidade

Lucca Bernard, Marcos Vinícius dos Santos

Desde 1969, Ouro Preto abriga, em suas ruas históricas, os edifícios da Universidade Federal de Ouro Preto. Posteriormente, as cidades de Mariana e João Monlevade também abriram portas para mais dois campi da instituição. Em seu papel de universidade pública, gratuita e de qualidade, a Ufop assume um compromisso de retornar os investimentos que recebe da comunidade que habita a região e os seus distritos. Os projetos de extensão fazem parte desse compromisso.

Esses programas buscam proporcionar uma integração entre a comunidade acadêmica e a população dos municípios, por meio da presença nos espaços físicos, do apoio a importantes causas sociais, da produção de oficinas, saraus de poesia, mostras de cinema, atenção aos direitos básicos das pessoas, como a saúde mental e física, e transformação do campus em um lugar mais acessível à comunidade externa. Um dos exemplos é o programa Campus Aberto, que busca maneiras de integrar a população ao Campus Morro do Cruzeiro, promovendo atividades que reúnem outros projetos de extensão, oferecendo oficinas temáticas, voltadas principalmente às práticas esportivas e de lazer.

Atualmente, a Ufop conta com 287 projetos de extensão ativos, além de 14 cursos e 44 programas de extensão. Os programas representam um conjunto de ações de extensão que atendem geralmente uma comunidade, com duração mínima de dois anos. Já os projetos são ações de cunho educativo, social, cultural, científico ou tecnológico, que necessitam renovação periódica junto à universidade, e podem estar ligados aos programas. Os cursos, por sua vez, são ações pedagógicas pontuais, que podem ser tanto teóricas quanto práticas, com duração de pelo menos oito horas.

Para além da formação de profissionais que possam atuar em diversas esferas da sociedade, em prol de melhorias coletivas, a universidade organiza esforços que possibilitam um adiantamento desse processo de troca, criando uma relação de contribuição com a população ainda no período de graduação.

Cia da gente: a arte do acolhimento

Era uma quarta-feira, dia 18 de maio de 2022. Nem mesmo o frio e o vento cortante pareciam incomodar o grupo que se reunia na Praça Tiradentes, no centro histórico de Ouro Preto. A chegada dos primeiros integrantes se deu às 13h. Logo depois, apareceram as vans, sempre carregadas, e em poucos minutos a fachada central do Museu da Inconfidência já estava tomada pelos participantes da passeata que se anunciava.

A ocasião não poderia ser mais especial. No dia em questão, comemorava-se o Dia da Luta Antimanicomial. Além da celebração, o cortejo representava, acima de tudo, um ato de resistência, reivindicação pelos direitos das pessoas que convivem com transtornos mentais. Uma luta pela liberdade. A data foi instituída em 1987, quando se consolidou a reforma psiquiátrica, movimento que objetivava fornecer uma assistência humanizada às pessoas com sofrimento psicológico.

No bloco, haviam várias manifestações contrárias à existência dos manicômios. Na foto, beneficiadas pelo Caps exibem cartazes, pouco antes do cortejo, na Praça Tiradentes. | Créditos: Vanessa Oliveira

 

O carro de som já estava a postos e a maioria dos componentes compartilhava um traje comum: a camisa na cor bege, estampada pela imagem do convite do evento. Entre os organizadores, no entanto, era possível notar uma reunião de pessoas com camisas brancas, algumas com o rosto pintado e todas segurando cartazes com palavras de apoio ao movimento. Eram os integrantes do Cia. da Gente, um dos projetos de extensão da Ufop.

Coordenado atualmente pelo professor Marco Flávio de Alvarenga, do Departamento de Artes Cênicas da Ufop (Deart), e pela professora Fernanda Rodrigues Silva, do Departamento de Educação (DEEDU), o Cia. da Gente nasceu em 2005, visando atuar em instituições de Ouro Preto, Mariana e Itabirito. O objetivo é fazer da arte uma ferramenta de auxílio às pessoas que enfrentam sofrimentos físicos ou psicológicos, na forma das atividades de palhaçaria, como no surgimento do grupo, ou de aulas de violão, salas brincantes para crianças, rodas de conversa, apresentações musicais e de poesias, entre outros.

O projeto conta com a parceria da Fundação Gorceix, uma instituição que incentiva pesquisas de desenvolvimento na área de mineração e metalurgia, mas que também faz parte da Universidade, fomentando a continuidade do projeto através da concessão de bolsas e viabilizando o apoio às instituições: Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae); Centro de Atenção Psicossocial Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Ouro Preto e Itabirito; Comunidade da Figueira de Mariana; Lar São Vicente de Paula em Ouro Preto; Centro de Atendimento Dom Luciano (Cadom).

No evento, o Cia. da Gente estava representado por Marco e por bolsistas do projeto, estudantes de diferentes cursos da UFOP. Além deles, participaram do movimento trabalhadores e pacientes dos Caps IJ de Ouro Preto e Itabirito (que atendem crianças e adolescentes de até 17 anos), o prefeito de Ouro Preto, ngelo Oswaldo, e moradores da região.

Para a extensão funcionar, é necessário que os integrantes da universidade dividam os espaços com a comunidade. Os membros do Cia da Gente fizeram questão de se vestir à caráter, e trouxeram seus apetrechos para o bloco. | Créditos: Vanessa Oliveira

O cortejo, que saiu da Praça Tiradentes em direção à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, carregava a irreverência carnavalesca do Bloco Conspirados, e o enredo relembrava a importância da luta contra as práticas cruéis exercidas nos hospitais psiquiátricos — ou manicômios, termo que carrega, historicamente, um teor de violência e que caracteriza um estigma presente nesses locais. Nestes locais, os pacientes eram submetidos a lobotomias, banhos frios, chicotadas e sangrias. As práticas foram executadas especialmente até a década de 70, e gradualmente substituídas pelo tratamento e assistência promovidos pelos Centros de Atenção Psicossocial que, desde 2002, são obrigatórios em todos os estados do Brasil.

A tradição do movimento vem desde os anos 60, e o projeto faz questão de estar sempre presente. “O Cia. da Gente, que é o nosso projeto, atua em várias instituições, inclusive, em mais de um Caps como hoje os de Ouro Preto e Itabirito. Nós viemos somar nessa luta, porque entendemos que o nosso trabalho, com viés artístico, é um trabalho que envolve liberdade”, explica Marco.

O professor reforçou ainda a força dos projetos de extensão, como uma ponte natural entre a universidade e a comunidade. “Os projetos de extensão, de uma maneira geral, são os que têm uma relação dialógica com a sociedade. O Cia. da Gente está com 17 anos de existência, e nesses 17 anos houve participação ativa com as instituições de acolhimento social em Ouro Preto. […] Eu acredito que a extensão permite o maior caminho de aproximação que a Universidade tem com a comunidade”.

Entre os pacientes que realizam tratamento no Caps, a consciência da magnitude do ato ecoava pelas ruas. Entre acenos e saudações, a alegria em seus rostos chamava a atenção das pessoas que transitavam pelas ruas e comércios durante a passeata, assim como os adornos que utilizavam pelo corpo. A felicidade em perceber que não estão sozinhos nesta luta se manifestava também nas palavras.

“Estou adorando o evento aqui na Praça, porque é o dia internacional ao não-manicômio. Porque, há uns anos atrás, colocavam os “loucos” nos hospícios, e ficávamos lá trancados. Hoje, somos tratados nos Caps, sem precisar desses lugares, que são lugares de tortura. Se a gente for para esses lugares para onde nos mandavam, não teríamos nem como voltar para a sociedade. Por isso a importância do Caps, e hoje eu estou muito feliz de estar aqui”, conta Rejane Ribeiro Amâncio, de 46 anos, uma das pacientes do Caps presentes.

Já Claudiane da Silva, 42, aposentada por invalidez e usuária das instalações do Caps, também entoou as falas sobre a coletividade, ressaltando que uma das intenções da manifestação era fazer com que “o nosso governo lute pela nossa causa”.

Erika Pereira, estudante de Serviço Social, já faz parte do programa há um ano e meio, e se empolgou com a oportunidade de participar do movimento, um dos primeiros do grupo após a paralisação das atividades presenciais devido à pandemia do Covid-19. “A partir da inserção da Ufop nesse movimento de fortalecer as manifestações locais, temos uma boa visibilidade com a população. Isso é um ponto positivo também, porque estamos contribuindo com o público, com as pessoas da cidade, fora dela, de onde estiver atuando. Eu entendo que a extensão atua nesse sentido, de dar uma devolutiva para sociedade”, explicou Erika sobre a motivação de participar do projeto e a importância da extensão na universidade.

Além do cortejo, o Cia. da Gente participou também da Exposição Memorial da Saúde Mental, no Museu Casa dos Contos, em Ouro Preto. O evento aconteceu do dia 26 de maio a 03 de junho. Também são realizadas ações semanais nas instituições apoiadas pela equipe do projeto.

Mineração do OuTro: cultura e crítica social

O Mineração do OuTro é um programa criado em 2014 pelo professor do curso de Serviço Social da Ufop, Marlon Garcia da Silva. Atualmente conta com quatro ações, entre elas, dois cursos de extensão (Ontologia e Estética: Arte e Sociedade e A Peculiaridade do Estético), além do Lavras de Versos Bairro Cabanas e Lavras de Versos Bairro Santo Antônio, ambos em Mariana. Segundo a coordenadora do programa, e também docente do Serviço Social, Kathiuça Bertollo, o objetivo é “pautar acerca da arte e estética marxista, da particularidade do território em que estamos inseridos, dando evidência à questão cultural”.

Ainda de acordo com a coordenadora, os dois cursos ofertados são frequentados por, em média, 50 pessoas, de várias localidades, perfis e áreas de formação, estabelecendo, inclusive, um diálogo entre instituições de ensino. As aulas abordam obras de cunho cultural e artístico, adaptadas e discutidas dentro da realidade latinoamericana atual. Os encontros acontecem na plataforma de reuniões online Google Meet todas as sextas, a partir das 17h, de forma alternada, ou seja, cada semana trata das temáticas de um curso. Podem frequentar os encontros as pessoas que se inscreveram em março, quando se iniciou o período letivo da Ufop.

Já o Lavras de Versos tem como público-alvo adolescentes moradores do Cabanas e do Santo Antônio, dois dos bairros mais carentes de Mariana. Os jovens, que são atendidos pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras), participam de círculos de cultura e rodas de conversa, que tem como base a poesia. Em especial, a de Carlos Drummond de Andrade, poeta mineiro com reconhecimento internacional, considerado um dos mais influentes do Brasil.

São cerca de 20 bolsistas e voluntários vinculados aos projetos do Mineração do OuTro. De acordo com Kathiuça, em razão dos constantes cortes no orçamento das universidades públicas, é possível remunerar apenas uma parte deles. Em função disso, é necessário muito empenho e vontade de ajudar o próximo para estes estudantes.

As ações do programa ainda não retornaram presencialmente. Por isso, não foi possível entrar em contato com membros da comunidade beneficiados pelos projetos. Nesse sentido, Kathiuça aponta como a pandemia de Covid-19 prejudicou a extensão: “A pandemia trouxe desafios inúmeros para realização das atividades extensionistas. Muitas delas foram interrompidas, muitas delas ainda vivenciam dificuldades de retomada. Por mais que o ensino tenha sido retomado, a extensão não funciona nesse mesmo tempo, nesse mesmo marco.”

Entre as atividades trabalhadas em conjunto com o Mineração do OuTro, e que foram interrompidas em razão da pandemia, está o Cine Faísca, iniciativa que exibia filmes e documentários, geralmente no Cine Teatro Mariana, com a realização de debates sobre as temáticas logo após o término da sessão.

Por fim, Kathiuça relata sobre o que a universidade precisa para estar sempre em conexão com a comunidade: “É fundamental que existam condições materiais para desenvolver os projetos. Que o docente tenha essas condições, que os técnicos que desenvolvem ações extensionistas também tenham essas condições materiais. Em relação aos estudantes, direcionar recursos para bolsas extensionistas, além do acesso à elas, no sentido de potencializar o percurso formativo dos estudantes.”

UFOP e IFMG de mãos dadas com Antônio Pereira

Antônio Pereira, distrito localizado a 16 km de Ouro Preto, conviveu, desde sua origem, com a mineração. No entanto, desde o final do ano de 2018, a insegurança tomou conta dos moradores, com a instabilidade da barragem do Doutor, em processo de descaracterização, no qual a Vale se comprometeu a desativar a estrutura, dentro de um determinado prazo, mediante ordem judicial. Muitas famílias deixam e retornam às suas casas com certa frequência, de acordo com o nível de segurança da barragem. Algumas, sequer têm essa opção.

Pensando na necessidade de acolhimento dessas pessoas, a Ufop, em parceria com o IFMG, desenvolveu o programa de extensão Ufop e IFMG de mãos dadas com Antônio Pereira. Tudo começou em 2021, de forma remota em razão do distanciamento social provocado pela pandemia de Covid-19. O programa aderiu às atividades presenciais em 15 de março deste ano, mesma data da volta das aulas na Ufop.

Três ações compõem o programa: o Acalento, roda de saúde mental e acolhida; o Panificação e Quitandas, que oferece oficinas de profissionalização na vertente de preparo de pães e outras guloseimas; além do Pereira Lab, que oferece treinamento nas áreas de programação, robótica e informática, de modo geral.

Entre estudantes da Ufop e do IFMG, participam seis bolsistas, além de seis voluntários. De acordo com o coordenador do programa, Aisllan Assis, “as bolsas são oferecidas pela Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proex) da UFOP, mas também são pagas com o recurso que o programa ganhou do edital interinstitucional que teve origem nos valores depositados pela Samarco, em decorrência da multa que recebeu diante da tragédia que a empresa provocou no município de Mariana em 2015.”

A equipe do Lampião esteve em duas das ações, ocorridas na terça-feira, 24 de maio: uma sessão do Acalento e uma edição da oficina de robótica.

Acalento: saúde mental e acolhimento

A saúde mental é pauta no programa “Ufop e IFMG de mãos dadas com Antônio Pereira”. No Acalento, membros da comunidade tem um espaço onde podem desabafar todas as suas aflições, sem quaisquer julgamentos. | Créditos: Marcos Santos 

Era uma tarde de vento e um céu que oscilava entre o ensolarado e o nublado. O ônibus estacionou em frente à Unidade Básica de Saúde de Antônio Pereira, já com algum atraso. A 10ª sessão do Acalento ocorreu na sala de reuniões da unidade. Algumas pessoas já esperavam, mas uma boa parte delas foi chegando conforme o tempo passava. Entre bolsistas, voluntários, colaboradores da UBS e membros da comunidade, a roda chegou a quase 20 pessoas.

O encontro começa com a escuta e reflexão da música Debaixo D’água, de Maria Bethânia. A música diz de um lugar perfeito no fundo da água, mas que contrasta com uma necessidade de ir para a superfície, respirar, e só depois voltar. As diferentes interpretações dos participantes, trazendo o contexto da música para a temática do conforto consigo mesmo, marcaram o início da roda.

Na sequência, a dinâmica da roda de saúde mental, mediada pelo professor Aisllan, era apresentar-se e responder a duas perguntas: Como você vem pra cá hoje? E como você quer ser acolhido? Os participantes começavam um pouco tímidos, mas ao longo do tempo, se sentiam cada vez mais à vontade para dizer o que vinha do coração.

Aos poucos, era possível ver os olhos marejados das pessoas, tanto as que verbalizavam seus relatos, quanto as que ouviam atentamente. Começavam os primeiros abraços, que mais tarde se tornaram dezenas. Entre inseguranças pessoais e familiares, de trabalho e de insuficiência, os participantes trocavam experiências, conselhos e palavras de acolhimento.

O encontro é finalizado com um forte abraço, um sorriso e esperança de dias melhores. É entregue um lanche e as pessoas saem aliviadas. Logo após, bolsistas, voluntários e coordenador fazem um balanço sobre a roda, analisam assuntos que foram recorrentes, além de apontar pessoas que precisam de um acompanhamento mais específico.

Para participar, basta procurar a equipe da UBS de Antônio Pereira e demonstrar interesse. As sessões foram pensadas para receber 10 membros da comunidade, como medida de segurança na retomada das atividades presenciais. No entanto, como já relatado anteriormente, todas as pessoas que quiserem integrar a roda são bem-vindas e acolhidas.

Pereira.LAB! – Curso de Informática e Robótica

A oportunidade de transmitir conhecimento até então inacessível para a comunidade também é um dos objetivos dos projetos de extensão. Na foto, jovens e adolescentes absorvem e colocam em prática noções de robótica. | Créditos: Lucca Hoelzle

A alguns metros da reunião do Acalento, no Centro Educacional Padre ngelo, acontecia a oficina de robótica. Em uma pequena varanda, os bolsistas Lucas Saioron, estudante de Engenharia de Controle e Automação, e Joaquim Júnior, do curso de Engenharia Civil, que também são os professores da oficina, organizaram, em pouco tempo, os equipamentos disponibilizados pela Ufop. Eram tablets, notebook, peças de lego, motores e sensores.

Os estudantes explicaram que a oficina acontece toda terça-feira, de 13h30 às 16h. Todos os alunos do Padre ngelo podem participar e as turmas são selecionadas no início de cada mês. Cada uma delas assiste a um mês de aulas e, além disso, são compostas, em média, por dez alunos. O centro educacional oferece ensino gratuito e recebe cerca de 100 crianças por dia, distribuídas entre os turnos da manhã e da tarde.

Momentos depois da montagem, a turma chegou ao local da oficina. Os sete participantes tinham entre 12 e 13 anos e se dividiram em um trio, composto por meninas, e duas duplas, formadas pelos meninos. Perguntado pelos professores se estavam preparados para a última aula, um dos estudantes prontamente respondeu: “não, queria que essa fosse a primeira”.

Por se tratar da última aula, Lucas e Joaquim optaram por dar liberdade criativa aos alunos. Eles disponibilizaram as peças e os tablets, e os grupos puderam escolher as propostas que seriam desenvolvidas. Os meninos optaram por construir um carro de corrida e um caminhão acompanhado de guindaste, enquanto as meninas preferiram um esquiador.

Os professores auxiliavam nas dúvidas, mas a proatividade das crianças impressionava. Pouco tempo depois, um dos carros já estava pronto, e os alunos, já íntimos do material utilizado, programavam pelo tablet os sensores de movimento. Com o carrinho funcionando, a dupla responsável ficou por conta dos ajustes finais.

Entre conversas descontraídas e mais trabalho, o segundo carro também foi finalizado. Era hora da corrida, e cada dupla programou os tablets para automatizar o trajeto. A vitória foi dos estudantes Arthur e Thiago, de 13 anos, que desenvolveram o carrinho de corrida. Logo em seguida, as meninas concluíram o projeto, e o esquiador foi um sucesso. Antes do fim da aula, houve ainda a pausa para o lanche e as crianças preencheram uma avaliação da atividade, já se despedindo de Lucas e Joaquim.

Os bolsistas do projeto ressaltaram que procuram sempre destacar a importância da Universidade e do Instituto Federal para os alunos, estimulando a vontade das crianças e adolescentes de um dia fazer parte deste ambiente acadêmico que, por vezes, não é tão conhecido por eles. Além da oficina de robótica, o projeto Ufop e IFMG de mãos dadas com Antônio Pereira oferece também cursos de programação e informática aos alunos de Padre Ângelo.

O resultado do esforço coletivo em prol de um objetivo é recompensador. O esquiador feito pelos alunos do Pereira Lab representa, acima de tudo, a conexão entre Ufop, IFMG e o distrito de Antônio Pereira. | Créditos: Lucca Hoelzle

Todos os projetos de extensão desenvolvidos na universidade estão disponíveis no site da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Alunos de todos os cursos podem se candidatar para as vagas de bolsista, seja de modo remunerado, ou ainda voluntariamente. Além disso, os estudantes podem, em conjunto com professores, submeter ideias de possíveis projetos que possam colaborar com a extensão. 

Seja para a formação do estudante, para transformar a realidade social da localidade, ou, ainda, para oferecer oportunidades únicas aos professores coordenadores, a extensão é se mostra fundamental. Ao caminharem juntas, comunidade e universidade contribuem para uma sociedade melhor e mais inclusiva.