Problemas com falta de água em Mariana persistem

Problemas com falta de água em Mariana persistem

Repórter: Victor Laia

Não é novidade que a cidade de Mariana sofre com a frequente falta de água. Contudo, esse é o primeiro ano em que o problema persiste mesmo com a cobrança da tarifa. A decisão foi deliberada pelo Consórcio Municipal de Saneamento Básico da Zona da Mata de Minas Gerais (CISAB-ZM) em abril de 2019. Em maio, a primeira fatura pela Tarifa Básica Operacional (TBO) chegou à casa dos marianenses, com valores que variam de R$ 9,80 a R$ 46,90. 

Neide Oliveira, comerciante há mais de 15 anos, reclama da falta de água em seu estabelecimento. Dona de um açougue no bairro São Gonçalo, a empresária relata que “todos os dias após às 12h, a gente não tem água, ou seja, somos obrigados a economizar água de uma caixa reserva de 500 litros para que se possa manter o estabelecimento limpo”. Neide ainda fala que por ser um açougue, necessita muito do recurso, visto que trabalha com alimentos perecíveis e o local tem que estar bem higienizado para não dar bactérias. Desde maio, ela paga R$ 46,90 pela TBO, contudo, não recebeu nenhuma notificação por parte dos órgãos públicos sobre o início da cobrança da tarifa. Ela também não recebeu nenhum aviso sobre a interrupção do abastecimento.

Assim como Neide, Giovani Rafael, comerciante do bairro do Rosário, não foi notificado que iria começar a pagar pela água em seu supermercado e nem sobre os cortes. “Prefiro pagar um valor maior e ter uma água decente e limpa, confiável para consumo e que não faltasse”. 

De acordo com a Resolução de nº 5, aprovada pelo CISAB em abril de 2019, ficou instituído que a cobrança da TBO será fixa até a instalação dos hidrômetros, instrumento que mede o volume da água consumida. Além disso, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Mariana (SAAE) destacou que caso o consumidor não pague três faturas, seja consecutivas ou alternadas, haverá o corte no fornecimento de água. No dia 7 de outubro, em post no facebook, o SAAE comunicou que a TBO é regulamentada pela Lei Federal nº11.445, promulgada em janeiro de 2007. 

Parte do problema é causado pelo uso indiscriminado de água, de acordo com a assessoria de comunicação do SAAE, que respondeu às perguntas do LAMPIÃO por e-mail. A autarquia alega que, hoje, o município produz água suficiente para abastecer cerca de 100 mil pessoas, levando em consideração o consumo ideal. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, estima uma população de cerca de 60 mil e 700 pessoas em Mariana, ou seja, número muito menor do que a cidade poderia abastecer.

Ainda de acordo com a autarquia, Mariana consome três vezes mais água do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que no seu site aponta um consumo adequado de 2,5 litros por pessoa, por dia.. A assessoria informou que o dado é gerado a partir do volume de água produzido em cada Estação de Tratamento e captado em cada ponto, mas não informou o volume de água tratada disponibilizada por dia na cidade, nem a porcentagem que vai para a indústria e para o consumo humano.

Atualmente, o município de Mariana possui quatro Estações de Tratamento de Água (ETA) que atendem cerca de 65% da população. Contudo, o SAAE adverte que quanto menor o número de ETAs, melhor, pois cada uma possui um gasto com produtos químicos e análises constantes para garantir o bom funcionamento do sistema. Em comparação, a empresa citou a cidade de Belo Horizonte, que possui seis estações, mas não especificou a diferença de tamanho entre elas.