Prato do dia: fome na mesa e insegurança alimentar

Prato do dia: fome na mesa e insegurança alimentar

PRODUÇÃO: JOÃO PAULO DA SILVA, JULIANA RODRIGUES E LARISSA VIANA

Antes da pandemia de Covid-19, havia 57 milhões de pessoas vivendo em insegurança alimentar no Brasil, ou seja, sem acesso pleno e permanente a alimentos. Em abril de 2021, o número foi ampliado para 116,8 milhões de pessoas. Apesar disso, é preciso destacar a diferença entre fome e insegurança alimentar.

A nutricionista Samantha Mazon explica que, de acordo com a Conferência Nacional de Segurança Alimentar, o conceito consiste no direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente.

“Neste sentido, a insegurança alimentar significa a não garantia deste direito”, ressalta Samantha.

Ainda segundo a profissional de saúde, a insegurança alimentar está classificada nas categorias leve, média ou moderada e grave.

“Na classificação leve, há uma preocupação com o acesso aos alimentos e a qualidade já está comprometida; na posição moderada, as pessoas já têm uma quantidade restrita de alimentos; e a última categoria apresenta-se quando as pessoas passam por uma privação severa de comida, o que pode levar à fome”, pontua.

A questão da insegurança alimentar no Brasil é histórica e a pandemia intensificou o problema na medida em que o desemprego aumentou. De acordo com o Secretário de Desenvolvimento Social e Cidadania de Mariana, Walber Luiz da Silva.

“Muitas empresas fecharam suas portas, campos de trabalho foram desfeitos. Hoje 14% da população está desempregada. Desses, 29,8% são jovens de 16 até 21 anos, quase 30% de jovens fora do mercado de trabalho”, ressalta.

Ainda conforme o secretário, é preciso inserir o jovem em situação de vulnerabilidade social no mercado de trabalho,

“De modo a promover a inclusão social e a geração de renda. Isso impacta na segurança alimentar e eles passam a ter acesso a alimentação”, reforça.

Como as políticas públicas podem ser eficientes no combate à insegurança alimentar? A entrega de cestas básicas pode ser um paliativo para a questão da fome.

“Em Mariana existe o Programa de Agricultura Familiar Social, que visa dar incentivo, aos habitantes da zona rural, quanto ao plantio de subsistência. O município fornece insumos e suporte técnico”, pontua o secretário.

A realidade impõe privações a algumas famílias, como para a da dona de casa Regina Martins, 53 anos. Moradora de Ouro Preto, ela conta que suas idas ao supermercado estão cada dia mais difíceis. “Os preços estão sempre sendo reajustados para cima”. Ainda de acordo com Regina, itens básicos como arroz, óleo e feijão estão cada dia mais caros.

Já a marianense, Lívia Oliveira Silva, 29 anos, também sentiu muita diferença nos preços dos produtos básicos no supermercado.

“Estamos passando por uma fase difícil e o atual governo também não ajuda muito as pessoas de baixa renda. Antigamente as coisas eram bem mais fáceis”.

Uma das alternativas encontradas pelas fontes que consultamos é a substituição dos alimentos, o que é mais um desafio.

“A minha família não come carne todos os dias como antigamente. Eu tive que substituir a carne pelo ovo, que também está bem caro”, destaca Lívia.

Diante deste cenário, segundo pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, Rede PENSSAN, realizada em dezembro de 2020, 43,3 milhões de brasileiras e brasileiros não têm acesso aos alimentos em quantidade suficiente (insegurança alimentar moderada) e 19 milhões passam fome (insegurança alimentar grave).

Para o combate à insegurança alimentar, é necessária a criação de políticas públicas de forma construtiva e não somente momentânea.

“Fortalecer a agricultura familiar, aumentar o salário mínimo, ofertar merenda escolar e incentivar a criação de hortas comunitárias podem ajudar a garantir o direito à alimentação em quantidade e qualidade suficientes”, finaliza a nutricionista.

(CAPA-Fotografia: Jonathan Robert)

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