Lampião ouve população a respeito da onda roxa

PRODUÇÃO: EDUARDA GARCIA E KINDERLLY BRANDÃO
 
 

O Lampião realizou uma consulta com os cidadãos marianenses a fim de captar opiniões sobre a onda roxa, que impôs medidas de isolamento social mais severas desde o dia 16 de março. Com a pesquisa, foi possível constatar que, embora a grande maioria aprove as ações mais rígidas de combate ao coronavírus, o número de pessoas que admite já ter desobedecido as recomendações é alarmante, num cenário em que o Brasil ultrapassa a marca de 300 mil mortes pela Covid-19.

Ao todo, 131 pessoas participaram da consulta, realizada de forma anônima. Destas, 89,3% se mostraram favoráveis às medidas, mas 58,8% assumiram ter, de alguma forma, descumprido o isolamento. Os motivos são diversos: idas a bares, festas, viagens, reuniões com amigos, e, principalmente, visitas aos familiares. As justificativas são similares: os participantes da consulta admitem o erro, mas sentem que o isolamento tem sido difícil, considerando o contato humano importante neste momento.

Entre as pessoas que se posicionaram contra as restrições — aproximadamente um quinto  dos entrevistados —  há um aparente consenso: são contra o fechamento do comércio, devido a motivos  financeiros. A consulta foi publicada em grupos de Facebook relacionados a assuntos da cidade e teve caráter exploratório, isto é, não contou com uma amostragem representativa da população.

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Com a onda roxa, praças, pistas de caminhada e locais de atividade ao ar livre estão temporariamente fechados. Foto: Oliveira
A opinião pública em pauta
 

O formulário também convidou os participantes a trazer relatos pessoais sobre a rotina do isolamento social e situações que já os levaram a desobedecer as medidas:

Viajei depois de 10 meses sem sair. Foi muito errado, mas eu estava me sentindo profundamente deprimida e apática por causa das notícias sobre o coronavírus, da ineficiência do governo, saudade de amigos e da família e raiva dos negacionistas. Tirei um tempo pra tentar melhorar e fui pra uma praia mais isolada. Foi errado demais, mas minha saúde mental agradeceu muito.

Viajei para a casa dos meus pais em outra cidade, mas fiquei em isolamento por 15 dias antes da viagem.

Fui passar o final de semana num sítio com 10 pessoas, vindas de lugares diferentes.

Encontrei amigos, realizei uma viagem e fiz uma festa. Chega um momento que a mente parece que já não suporta mais ficar isolado.

Sou a favor da obrigatoriedade do uso de máscara e multas para o descumprimento das regras de aglomeração, mas o fechamento do comércio é um absurdo, deveriam fechar apenas comércios onde há aglomeração como bares. Lojas de roupa, eletrônicos, eletrodomésticos não deveriam ser fechadas.

Os políticos tiveram oportunidade de fechar em novembro e outubro, época de eleições, e em dezembro o pessoal fez a festa viajando.

Como vou alimentar minha filha sem nenhuma renda?

Guarda municipal atendeu a 36 denúncias de festas clandestinas entre 12 e 14 de março
 

De acordo com dados da Guarda Municipal de Mariana, apenas no primeiro final de semana do decreto, foram atendidas 36 denúncias de festas clandestinas, bares abertos e outras aglomerações. Um bar, seis comércios irregulares, duas boates e dois pesque-pagues foram fechados. 

Com os leitos esgotados e o sistema de saúde da microrregião oficialmente em colapso, a onda roxa parece ter vindo para permanecer, por tempo indeterminado.

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