Mineração: Minas, barragens e o quê mais?

Texto e produção: Emily Soares e Fanny Souza

Em entrevista ao LAMPIÃO, o engenheiro de minas Hernani Lima explicou algumas questões envolvendo a mineração. Além de graduado em Engenharia de Minas pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Hernani é mestre em Engenharia Metalúrgica e de Minas. Ele também é doutor em Gerenciamento Ambiental e professor na Ufop, onde estuda a Administração Ambiental na Mineração. Conversando com ele, pedimos para que explicasse o processo de criação das minas e a forma como se dá a extração de diferentes minerais nas montanhas.

No vídeo abaixo, é mostrada a região do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais, onde há a extração específica do minério de ferro. Seguimos para a cidade de Mariana, onde, em 5 de novembro de 2015, a Barragem do Fundão, que pertence à mineradora multinacional Vale, se rompeu, causando um dos maiores crimes ambientais e afetando o distrito Bento Rodrigues, que será mostrado em seguida. Como as imagens de satélite são datadas de 2007, ainda não se apresenta o rastro de lama e destruição deixado pela empresa.

Depois, o vídeo caminha para o complexo da Mina de Alegria, onde é possível observar a intensa exploração da área para extração do mineral. Logo após, é mostrada a Mina de Timbopeba, que fica ao lado do complexo de Alegria. Pelas imagens, é possível ter uma noção dos impactos causados pela atividade mineradora na região.

 

Você sabe para que e como são formadas as barragens de rejeitos de minério?

O especialista explica a importância da existência de uma barragem na mineração. “O rejeito do minério tem que ser disposto, ele não pode ser lançado ao  meio ambiente, então a barragem de rejeitos é uma estrutura com fins ambientais, construída para conter esse rejeito gerado para que ele não seja lançado numa encosta e, com processos erosivos, ele vá assoreando os córregos e rios”, disse.

“O processo de extração de minério acontece via aquosa, então tudo envolve água, não há tratamento a seco. Esse rejeito sai da usina com 40% de sólido apenas, é uma polpa. Esse material é lançado próximo a uma barragem. Ela pode ser feita de várias formas: com barramentos construídos de terra compactada, onde se faz um barramento único, ou um barramento construído com a fração areia, uma fração mais grossa desse rejeito”, afirmou.

Entenda mais o processo através do áudio explicativo abaixo.

Impactos Ambientais

Além dos impactos ambientais já repercutidos pela mídia, provindos do rompimento de uma barragem, o engenheiro de minas explica os danos causados desde o início das atividades de instalação de uma mina numa região e durante seu funcionamento. “Existe uma alteração de grande magnitude na paisagem local, esse é um dos principais itens, mas é difícil de mensurar porque enquanto em operação, as vegetações foram suprimidas” afirmou. Ele relembra que a mineradora tem o dever de suprir a exploração dessas áreas, aplicando medidas compensatórias. Ao se abrir uma mina ou construir uma barragem de rejeitos, deve-se adquirir uma área para ser transformada em reserva de proteção ambiental. Outros impactos prejudiciais à vida também são mencionadas por ele na entrevista.

Impactos Sociais

Já foram mencionados alguns danos que a mineração pode trazer para a vida das pessoas. Mas também é necessário lembrar o benefício econômico que ela traz para as regiões mineradoras, sendo o meio de sustento de inúmeras famílias. Entretanto, a implantação delas nas cidades também gera impactos sociais. Na região de Ouro Preto, Hernani menciona a visibilidade clara desses impactos no distrito de Antônio Pereira.

Erros

Ao relembrar os rompimentos das duas barragens ocorridos nos últimos três anos, o engenheiro reconhece os erros cometidos pela equipe de engenharia das mineradoras envolvidas nos crimes socioambientais: “Barragens não deveriam se romper e foram falhas. Temos que reconhecer esse erro e, nós somos, de certo modo, arrogantes e achávamos que estávamos corretos. Temos que ter a humildade de reconhecer que existiram falhas e que essas falhas precisam ser corrigidas. Isso não pode acontecer mais” disse. Ouça, na íntegra, a fala do especialista, comentando sobre.

 

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