Mariana cumpre meta de vacinação contra a gripe

Apesar de imunizar 16% a mais que o esperado, crianças ficaram abaixo da meta nos índices individuais

Texto: Patrick de Araújo | Foto: Larissa Maiane | Visual: Renato Rinco

vacinação contra a gripe em Mariana

 

Quando, de repente, o corpo fica dolorido, febril, com dor de garganta, fadiga, é sinal de que a gripe chegou. Essa doença, que é bastante comum, e que, às vezes, rende aquele chazinho quente que a mamãe aprendeu com a vovó, já matou muita gente durante a história do mundo e, até hoje, é motivo de preocupação dos profissionais de saúde.

A gripe, causada pelo vírus Influenza, é uma doença infecciosa que ataca o sistema respiratório e pode deixar o paciente hospitalizado ou levá-lo a óbito em casos de complicações. O vírus passa por inúmeras mutações em seu ciclo de vida, por isso a necessidade de vacinação todo ano. O Influenza é dividido entre os tipos A, B e C, sendo que apenas os tipos A e B atingem os seres humanos. A gripe é a única doença capaz de ocasionar epidemias todos os anos. A melhor forma de prevenção é a vacina.

No Brasil, o Ministério da Saúde realiza campanhas de vacinação todos os anos, com o objetivo de atingir todos os municípios do país. Segundo Sirlene de Fátima Pereira, do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, “para a campanha de 2018 foram adquiridas 60 milhões de doses da vacina, por um custo de R$909,6 milhões.”

As campanhas acontecem no período em que há maior chance de incidência da doença, geralmente entre os meses de março e setembro. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, o trabalho é realizado para prevenir internações e mortes em decorrência do agravamento da doença.

Durante a campanha de vacinação, o principal objetivo do Ministério da Saúde é atingir a meta de  90% da população dentro dos grupos de risco. Grupos de risco são pessoas mais suscetíveis à doença, como crianças de seis meses a menores de cinco anos, gestantes, idosos a partir de 60 anos, professores, profissionais da saúde e pessoas com doenças crônicas, o chamado grupo de comorbidades.

O Ministério da Saúde também impõe essa meta para os estados e municípios. A campanha deste ano teve início no dia 23 de abril e foi prorrogada até o dia 22 de junho. A partir do dia 25 de junho, o público-alvo da campanha foi estendido a crianças de 5 a 9 anos e adultos de 50 a 59 anos, em todos os municípios que ainda tinham doses disponíveis.

Em Mariana, as vacinas estão disponíveis nos postos de saúde de treze bairros, e há pontos fixos para  imunização no Centro de Vacinação da Prefeitura e no bairro Cabanas. Nos distritos há os dias fixos para aplicação. Na cidade, a taxa de imunização antes do fim da campanha era de 103,4%, informou ao LAMPIÃO Poliane de Castro Marques Rolla, enfermeira responsável técnica em imunização do Centro de Vacinação da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Mariana.

Segundo ela, devido à dificuldade dos pais de levarem as crianças aos postos, há complexidade em vaciná-las, já que a imunização funciona durante os horários em que a maioria dos responsáveis trabalha. E não existem horários alternativos que se adaptam à rotina de trabalho das famílias. Apesar de não ter conhecimento da ação, Heliton Pereira, 37, não deixou de levar o pequeno Enzo, de quase dois anos, para imunização. Morador do Centro de Mariana, ele sempre procura auxílio médico quando a criança apresenta algum sintoma.

No entanto, a cidade adota bem a campanha e os idosos são os primeiros a solicitarem as vacinas quando a ação começa, e embora sejam o grupo com maior adesão, conforme os dados do MS, eles também buscam a imunização quando o prazo está quase no fim. Assim como um senhor que chegou ao Centro de Vacinação poucos minutos antes do final do expediente do último dia da campanha. “Tem vacina ainda?”, perguntou Geraldo Luiz da Silva, 70, morador do Alto do Rosário que todos os anos vai ao posto se vacinar. “É bom, né?”, ele responde quando perguntado sobre a importância da prevenção, mas afirma que quando a gripe vem de repente, um chazinho de erva cidreira resolve. Já Rogéria Maria Dias, 54, adere à vacinação há três anos. Ela, o marido e o neto estão dentro do grupo de risco devido a questões de saúde.

Até o momento, segundo o DataSus, banco de dados do Ministério da Saúde, Mariana já vacinou um total de 106,13% na cobertura vacinal. Já nos índices individuais por grupo de risco, a cidade vacinou  85,88% das crianças, 96,81% dos profissionais de saúde, 90,02% das gestantes, 120,40% dos idosos e 108,26% mulheres que estão em pós-parto. Ao final da campanha, até o fechamento desta matéria, a cidade ainda possuía poucas doses disponíveis, em torno de 20, de acordo com o Centro de Vacinação da Prefeitura de Mariana. É importante estar atento para o fato de que o efeito da vacina dura um ano, uma vez que o vírus Influenza é mutável, e a vacina é feita baseada no tipo de vírus que esteve mais presente durante o ano anterior.