Lampião lança programa de fact-checking

Lampião lança programa de fact-checking

Em tempos de fake news, o jornal pretende checar a veracidade de informações espalhadas na região de Ouro Preto e Mariana

Texto: Patrick Araújo | Visual: Júlia Militão e Larissa Maiane

O LAMPIÃO está cheio de novidades para os leitores em 2018. Uma delas é a criação do seu próprio programa de fact-checking ou, em bom português, checagem de fatos. A checagem de fatos, dados e fontes é uma técnica básica para o exercício da apuração jornalística, mas, desde o início dos anos 90, a prática tem sido usada como outro modo de se fazer jornalismo. O repórter da rede de TV norte-americana CNN Brocks Jackson recebeu a missão de conferir se tudo o que os possíveis candidatos à presidência dos Estados Unidos estavam dizendo nas prévias da campanha eleitoral de 1991 era verdade. Ele montou uma equipe para a cobertura das eleições e, em 2003, criou o site factcheck.org, ainda ativo. Foi a primeira iniciativa de checagem de fatos independente no mundo.

O jornalismo sempre conviveu com notícias falsas, sensacionalistas, informações duvidosas, mas, nos últimos anos, as fake news se espalharam rapidamente pela internet, principalmente nas redes sociais. Em contrapartida, surgiram agências e sites especializados em checagem de fatos em todo o mundo, como o americano PolitiFact, o argentino Chequeado e o sul-africano Africa Check. No Brasil, exemplos reconhecidos incluem a Agência Lupa, no Rio de Janeiro, vinculada à Revista Piauí; o Projeto Truco, vinculado à Agência Pública em São Paulo; e o site Aos Fatos, também de São Paulo. Esses veículos checam discursos de políticos, boatos na internet, notícias falsas.  

Inspirado nessas iniciativas e nos valores de “Respeito à função jornalística de traduzir os acontecimentos e informações; aderência aos princípios técnicos e éticos no fazer jornalístico; compromisso de atuar junto à sociedade, revisando e aprimorando  valores e funções do jornalismo” no compromisso da informação e do interesse público desde 2011, o LAMPIÃO lança seu próprio programa de checagem de fatos.

Como funciona?

A checagem de fatos do LAMPIÃO será feita a cada ciclo produtivo do jornal. Serão duas checagens a cada semestre. O trabalho funciona, a princípio, em cinco etapas. São elas:

  • A escolha do discurso: o jornal escolhe o que será checado. As informações devem ser locais de interesse público e que afetam um grande número de pessoas nas cidades de Mariana, Ouro Preto e seus respectivos distritos. Pode ser um boato, o discurso de algum político, notícias falsas, informações divulgadas por órgãos públicos e sugestões de nossos leitores.
  • Busca de fontes: a checagem de fatos procura fontes oficiais, estudos de instituições renomadas, universidades que forneçam dados seguros e confiáveis e mais atuais sobre o assunto escolhido para checagem. Em seguida, o checador ou checadora do jornal entra em contato com a pessoa ou instituição que divulgou a informação e solicita as fontes dos dados informados. Com as informações em mãos, faz a confrontação do material recebido com os dados da apuração anterior.
  • Reconstrução do contexto: o checador explica o que está checando, em que situação e quando a informação foi publicada ou começou a circular.
  • Classificação: é comum na prática do fact-checking serem estabelecidas classificações de acordo com os dados levantados e a informação checada. Depois que são estabelecidas as classificações, o checador (a) entra em contato novamente com o autor da informação e pede mais uma explicação e/ou manifestação sobre a apuração da checagem. A princípio, o LAMPIÃO adotará as seguintes classificações:

A frase citada é verdade e é possível confirmá-la com dados, estudos, informações de órgão reguladores.

 

A informação é correta, mas é necessário esclarecer certos pontos ao leitor.

 

 

É possível comprovar que a informação é falsa.

 

As informações contêm dados incompletos ou não levam em consideração o contexto aplicado.

 

A informação é parcialmente verdadeira, no entanto há uma supervalorização no que foi dito.

 

 

 

5) Representação gráfica: cada classificação possui um representação gráfica de acordo com a linha editorial e o planejamento visual do jornal.

Clique aqui para ler nossa primeira checagem, sobre a “visão dos 100 dias de Saae”.