Garis: Uma profissão que precisa ser valorizada

Texto: Júlia Lopes | Fotos: Gabriel Lage

Eles estão pelas ruas, dedicando horas de esforço para a limpeza da cidade, e, embora sejam reconhecidos pelas vassouras e sacos de lixo na mão, ainda passam despercebidos. Se não fosse por eles, responsáveis por limpar e coletar o lixo acumulado que aumenta rapidamente em todos os lugares, transitar pela cidade seria uma tarefa quase impossível. Para lembrar desse trabalho, hoje, 16 de maio, comemora-se o Dia do Gari, homenagem aos personagens essenciais para a manutenção da história marianense.

A quantidade de lixo descartado de forma inadequada diariamente é um dos graves problemas em Mariana. A Praça Gomes Freire, conhecida como Jardim, é ponto de encontro para os moradores da cidade frequentemente, mas a movimentação no local se intensifica durante o fim de semana, fazendo com que a produção de lixo seja também maior. José Batista da Silva, 61 anos, trabalha como gari há dezessete anos no Jardim. Todos os dias, o mesmo ritual: varrer a praça inteira. Acorda às 5h, se arruma e segue caminho para trabalhar das 7h às 16h. “A situação [do Jardim] é crítica. Muita gente bebendo, largam o lixo no chão. Sábado e domingo são os piores dias. A gente coloca até tambor quando tem evento, mas é difícil respeitarem hoje em dia”, relata.

Ângela Herculano, 40 anos, há sete anos exercendo essa profissão, conta que, apesar da rotina pesada, ela lida com leveza e bom humor devido ao contato com pessoas boas e gentis enquanto trabalha. Entretanto, ela afirma que a falta de reconhecimento da sociedade ainda é muito forte. “Sinto um pouco de tristeza. Nem todo mundo tem a conscientização de manter a sua comunidade limpa. As pessoas jogam papel pelo chão afora, lixo, descartáveis, vidros, seringas, muitas coisas”, destaca. A limpeza diária das vias urbanas contribui para o combate às pragas e para a manutenção do meio ambiente, além de diminuir os riscos de bueiros entupidos que ocasionam enchentes. A gari também diz que “sujando o meio ambiente, está contaminando o ar de todos nós. Um lugar cheio de lixo dá barata, rato, contaminação, e isso tudo traz problemas para nossa saúde”.

Apesar de sentir que a comunidade ainda trata garis com indiferença, José e Ângela não escondem o orgulho que sentem pela profissão. A cidade de Mariana não seria a mesma se não fosse pelo trabalho dessas pessoas tão importantes em seu organismo, e a conscientização e contribuição dos moradores também é fundamental. “Falar, pedir, escrever, deixar estampado e, mesmo que leiam, os moradores não ficam sentidos por estarem fazendo o mal para eles mesmos”, completa Ângela ao ser questionada sobre o que pode ser feito para conscientização efetiva da população. Enquanto isso, o serviço continua. A cada passo, os garis possuem a esperança de um dia terem o trabalho reconhecido e valorizado.