Dez anos de Reuni em Mariana

Dez anos de Reuni em Mariana
Texto: Isabela Peres Rigatto / Foto: Hannah Carvalho / Apuração: Luan Carlos e Uriel Silva

Última atualização: 28/11/2018 às 15h38.

O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras (Reuni) permitiu a criação de novos campi, que possibilitaram a diminuição das barreiras geográficas e econômicas que dificultavam o acesso ao ensino superior às populações de baixa renda e do interior do país.

A Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) foi uma das instituições federais beneficiadas pelo programa. Instituído pelo Decreto Presidencial 6.096, em 24 de abril de 2007, o Reuni é parte integrante de um conjunto de ações do Governo Federal no Plano de Desenvolvimento de Educação do Ministério da Educação (MEC).  As ações do programa contemplam a ampliação de vagas nos cursos de graduação, aumento do número de cursos noturnos, inovações pedagógicas e o combate  à evasão escolar, além de ter o propósito de diminuir as desigualdades sociais.

Antes do Reuni, a cidade de Mariana comportava somente um campus da universidade, o Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), com os cursos de Letras e História. Com a expansão proporcionada pelo programa, foi criado o curso de Pedagogia e ampliado o número de vagas nos cursos já existentes, passando de 80  para 140 vagas.  Para comportar essa reestruturação, foi construído um prédio com salas de aulas maiores e novos laboratórios para atender o aumento na demanda de estudantes e professores. Além da ampliação dos número de vagas ofertadas pelo ICHS e do início do curso de Pedagogia, a Ufop propôs a criação de um novo campus no município para abrigar o Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), onde foram implantados os cursos de Administração, Ciências Econômicas, Jornalismo e Serviço Social. A Ufop firmou uma parceria com a Prefeitura Municipal de Mariana, que disponibilizou uma área no centro da cidade,  parte do terreno o prédio da antiga Escola Municipal Padre Avelar, porém com necessidade de intervenções e reformas. Todos os reparos e adaptações dos prédios, assim como a construção de um bloco de 8 salas de aula foram financiados por verba do Governo Federal. A cargo da universidade ficou a construção de laboratórios, instalações administrativas e de serviços, refeitório, salas de professores e obras de infra-estrutura.

De acordo com o documento de Metas do Reuni, lançado pela Ufop, grande parte dos estudantes que procuram a universidade é de baixa renda, razão pela qual são disponibilizadas moradias estudantis desde os primórdios de sua instalação. São dois conjuntos de moradia em Mariana. Atualmente, no Conjunto I, localizado no Bairro Chácara, há um total de 84 vagas, sendo que neste momento tem 65 moradores. Já no II, Bairro Nossa Senhora do Carmo, são 120 vagas e 87 residentes. Nesses conjuntos, moram apenas estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, ou seja, todos são bolsistas da Pró-reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace). No ICHS, 318 alunos são bolsistas ativos, e no ICSA, 409.

A expansão dos institutos federais de educação superior aproximou muitas pessoas de uma educação superior de qualidade. O plano possibilita o ingresso de jovens e adultos de baixa renda em uma universidade, o que consequentemente desenvolve a cultura, política e economia local.  Para além da experiência acadêmica, a vinda dessas instituições para o interior proporcionam benefícios não só para os estudantes, mas também para os moradores da cidade, que através dos projetos e atividades desenvolvidas pela Ufop nos campi e dentro das comunidades, trocam saberes e vivência. Este é um dos muitos aspectos que tornam a permanência do ICHS em Mariana relevante.