Dependentes da mineração

Dependentes da mineração

Arrecadação da CFEM sofre queda após crime ambiental em Bento Rodrigues

Texto: Emily Soares e Fanny Souza | Foto: Fanny Souza | Gráfico: Emily Soares

Mariana, após o crime ambiental em 2015, vem sofrendo uma crise econômica significativa e, há pouco tempo, o prefeito decretou estado de calamidade financeira na cidade, que, alguns dias depois, foi revogado. Abordamos esse assunto em outra matéria do jornal, confira aqui. O LAMPIÃO conversou com o prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS), e ele falou sobre como a região é submissa à atividade mineradora: “Olha, posso te afirmar que todos os municípios mineradores, não só Mariana, todos os municípios mineradores, eles são extremamente dependentes da mineração, somos reféns da mineração. Se no dia de amanhã acabar a mineração e eles não repassarem mais os recursos, é um caos total dos lojistas, não adianta, ninguém fez nada, ficou todo mundo mamando nas tetas da mineração, a verdade é essa”, desabafou.

Segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral, de 2011 a 2013, Minas Gerais ocupou o 1° lugar no ranking de arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Em 2013, Mariana foi o terceiro município com maior arrecadação nacional. Confira os dados no gráfico abaixo:

Gráfico indica variação da arrecadação do CFEM em Mariana, entre 2013 e 2018.
Fonte: Portal da Transparência

E os trabalhadores?

Atualmente, a Mina de Alegria está paralisada por questões preventivas. Segundo a Vale, não é possível garantir a estabilidade das estruturas da mina. De acordo com Ângelo Eleuterio, presidente do Sindicato Metabase de Mariana, são aproximadamente 1.800 trabalhadores que operavam na Mina de Alegria. Agora, esses profissionais estão sendo realocados para outras minas, como a de Timbopeba e para outras cidades, como Itabirito e Itabira.

Segundo Ângelo, a Vale informou que não tem intenção em demitir os trabalhadores, mas o sindicato está em busca de uma efetiva estabilidade. “Nós estamos vivendo um momento de insegurança em relação ao futuro e estamos confiando na palavra da Vale. Marcaram conosco uma reunião para a segunda quinzena de abril, mas ainda não sabemos a data. Estamos dependendo inteiramente da Vale”, afirmou.

 

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