Surto de conjuntivite viral atinge Mariana

A cidade registrou mais de 3.600 casos da doença entre março e abril

Texto: Karina Peres | Foto: Deivid Oliveira

Mariana vem enfrentando um surto de conjuntivite viral nos últimos meses. Em janeiro, eram 19 casos registrados em toda cidade. Já em fevereiro foram 32 casos e, de março a abril, houve um grande aumento, passando para mais de 3.600 casos. O momento mais grave do surto parece ter passado, já que, de acordo com a Secretaria de Saúde, foi observada uma queda no número de atendimentos desde o ínicio de março, de 100 por dia para 20.

Para tentar controlar o surto, a principal estratégia tomada pelo município foi a informação. A Secretaria de Saúde passou a veicular entrevistas de orientação na mídia, campanhas nas redes sociais e diretrizes específicas para as unidades de saúde e os profissionais da área. Os bairros com maior incidência de casos, como o Cabanas, recebem maior atenção na unidade de saúde.

Segundo a técnica em epidemiologia Taís Vieira, os ambientes coletivos são os que mais preocupam, e por isso foi dada uma atenção maior a esses locais. “A gente tem uma parceria com a Secretaria de Educação. Todas essas doenças que envolvem o ambiente coletivo a gente faz questão de comunicar e orientar para que a informação seja passada para diretoras, professoras e para avisar a gente de qualquer surto, de qualquer doença que esteja acometendo os alunos”, explica.

Com a intensificação inesperada da doença na região, ocorreu um desabastecimento do principal remédio utilizado no tratamento, o colírio, que ficou alguns dias em falta nos postos de saúde da cidade. Segundo Taís, assim que foi observada a carência do medicamento, a Secretaria de Saúde providenciou uma compra imediata do colírio. “Aumentamos o estoque, pode ter ocorrido alguns dias sem o colírio porque não esperávamos essa demanda, mas até o fornecedor entregar suprimos essa falta.”

A doença não é de notificação compulsória (qualquer doença que a lei exija que seja comunicada às autoridades de saúde pública). Por isso, os registros dos casos só são feitos quando há incidência de dois ou mais em uma mesma localidade (bairros, escolas e famílias), como aconteceu no caso de Neide Maria, moradora do Cabanas. Ela foi a quarta da família a ser atingida pela doença e acredita que o contágio ocorreu após usar o mesmo celular que a cunhada.

Segundo a pediatra Renata Benhami, a transmissão da doença só ocorre através do contato direto com o vírus. “A conjuntivite é basicamente não entrar em contato com a secreção ocular. Não é transmitida por vias aéreas como todo mundo acha, é só se encostar no próprio olho ou em objetos contaminados.” Ela também alerta que a criança pode transmitir a doença nos primeiros sete dias de contaminação. Com três filhas pequenas, Neide está tomando todos os cuidados para preveni-las da conjuntivite. “Estou fazendo o máximo, toda hora lavo as mãos e só eu uso a minha toalha, tanto que nem meu outro olho foi atingido.”

Mão-pé-boca

Outro surto de doença contagiosa causa preocupação em Mariana, a síndrome mão-pé-boca. Até o dia 13 de abril, 18 casos tinham sido confirmados da doença, que é causada pelo vírus coxsackie. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa ou através de contato com objetos ou alimentos infectados. Pode atingir adultos, mas atinge principalmente crianças de até cinco anos. Segundo a técnica em epidemiologia Taís Vieira, a doença é de fácil transmissão e não tem vacinação. “Enquanto tiver os sintomas, as crianças não podem frequentar ambientes coletivos, senão a gente não consegue controlar nunca.” Creches e escolas estão todas avisadas pela Secretaria de Educação. “A gente fez orientação para todas as unidades de saúde, e para a Secretaria de Educação, para nos informar todos os casos.”

Os principais sintomas da doença são: febre e pequenas pápulas (bolinhas) vermelhas em torno da boca, palmas da mão e ponta do pé. De acordo com a pediatra Renata Benhami, a doença tem um período curto de duração, entre quatro a seis dias. “Ela é sempre viral e em 90% dos casos ela é autolimitada (doença que tem período limitado e determinado). O problema está na transmissão, em escolas e creches, no surto mesmo.” Segundo Renata, a medicação é simples e “o tratamento é sintomático, remédio para febre e coceira, pois as lesões coçam muito”.

Prefeitura pretende imunizar 16.500 pessoas na 20ª Campanha Nacional de Vacinação

A 20ª Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe começou no dia 23 de abril, com término previsto para o dia 1o de junho. A enfermeira responsável técnica em imunização do município, Poliane Marques, afirma que a meta deste ano é vacinar 90% do público-alvo, aproximadamente 16.500 pessoas. As doses da vacina estão sendo liberadas aos poucos pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Por esse motivo, em alguns dias pode não haver vacina, porém, o desabastecimento está sendo rapidamente controlado, de acordo com a Secretaria de Saúde de Mariana. Segundo Poliane Marques, a imunização do público-alvo não será comprometida. Na sexta-feira da semana passada a vacina já havia acabado, sem aviso prévio a quem foi tentar receber a imunização.

Ela conta que, para conseguir atingir o objetivo, a Secretaria de Saúde irá montar um esquema. “A estratégia será oportunizar a vacinação para todo o público, levando-a aos distritos e PSF (postos de saúde) da cidade e a locais com o público específico, além de três unidades fixas de vacinação de segunda a sexta: Passagem, Cabanas e Central de Vacinação.”

No dia de Mobilização Nacional, conhecido como dia D, que este ano será no dia 12 de maio, a secretaria pretende manter cinco locais fixos na cidade: Posto Santo Antônio, Rosário, Passagem, Cabanas e Central de Vacinação, que irão funcionar de 8h às 16h.

O público-alvo da campanha são crianças de seis meses a quatro anos, gestantes, mulheres em até 45 dias pós-parto, professores da rede pública e privada, portadores de doenças crônicas, profissionais de saúde, idosos a partir de 60 anos e detentos e funcionários do sistema prisional. Todas as pessoas abrangidas pela campanha têm direito a receber a dose da vacina de forma gratuita e devem comparecer aos locais de vacinação portando o cartão de vacina e documento original com foto.