Banco gratuito de perucas é inaugurado em Ouro Preto

Texto: André Silveira e Raiane Rezende | Foto: Raiane Rezende

Em 2004 Edna Moreira viu seus fios caírem 25 dias após o início da quimioterapia, um ano depois de descobrir o câncer de mama. Na época, amigos a ajudaram a comprar a primeira peruca. “Depois de uns 8 meses meu cabelo começou a crescer, aí eu aposentei a peruca e dei de presente. Agora é a 4ª vez que meu cabelo cai, na 2ª e na 3ª vez eu não usei peruca”.

Nesta edição da campanha Fios de Solidariedade, que acontece desde 2014, a ONG Fio de Luz a convidou para receber uma das doações e Edna viu na oportunidade uma experiência animadora. Ela é uma das contempladas pelo banco de perucas, que acaba de ser lançado na Região dos Inconfidentes, em parceria com o programa Mais Saúde, da Universidade Federal de Ouro Preto.

Para Edna, hoje com 55 anos, o choque inicial de ver-se sem os cabelos passou quando percebeu que gostava também de estar sem eles. “Eu adoro receber elogios. Minha autoestima é alta, muito boa, mas eu sei que não sou aquela Gisele Bundchen (risos). Eu não tenho aquela coisa que ‘ah, vou pra uma festa e meu cabelo “tá” desarrumado”.

Assim como na primeira experiência que teve usando a prótese capilar, Edna afirma que quando os cabelos voltarem a crescer doará a que estiver usando.

Embora seja desapegada com seus fios naturais, ela reconhece a diferença que eles fazem para muitas mulheres: “às vezes (as pessoas da ONG) me chamam  para fazer palestra e essas coisas e eu acho uma iniciativa maravilhosa. Já participamos uma vez na Praça Tiradentes e nós abordamos as pessoas na rua. Acho que conseguimos umas 193 pessoas em plena praça e foi muito bacana.”

De Belo Horizonte, a instituição produz perucas para ajudar pacientes com câncer desde 2017 e as distribui gratuitamente. “Hoje, diante da grande demanda, nós temos uma fábrica de perucas que produz 400 por mês. Estamos em mais de 22 centros oncológicos em todo o estado de Minas Gerais e em 14 cidades do Rio Grande do Sul”, conta Edmilson Marques, idealizador da ONG.

À disposição das pessoas da região, o banco da Fio de Luz atenderá as cidades de:  Acaiaca, Alvinópolis, Brumadinho, Diogo de Vasconcelos, Itabirito, João Monlevade, Lafaiete, Mariana, Ouro Branco, Ouro Preto e Ponte Nova. “O mais importante de tudo isso para gente, no momento, é ser solidário, servir”, disse Rosana Gonçalves, coordenadora do Mais Saúde.