Artistas e artesãos de Mariana se reinventam durante a pandemia

O relato da classe artística marianense que precisou ressignificar sua arte em tempos adversos
 
PRODUÇÃO: FERNANDO PANIAGO E LOREENA CORDEIRO NEVES
 

Léo Caballero, cantor marianense, estava esperançoso no começo de 2020. O artista vinha consolidando sua carreira, começando a ser chamado para grandes eventos e tinha uma agenda cheia de shows, mas, em março, a situação mudou. O cantor se viu sem eventos, sem a renda que arrecadava das bilheterias e, principalmente, viu o descaso com o setor artístico por parte de todos. “Dizer que a arte não é algo essencial, é errôneo. Se, diante desta pandemia, as pessoas conseguem ter distrações, dias melhores e alegres, é a arte que, muitas vezes, está proporcionando isso”, afirma. Com este pensamento, reinventar sua carreira foi a única saída para enfrentar a nova crise que estava por vir, e que perdura até hoje.

Em 2020, a pandemia da Covid-19 atingiu severamente o Brasil, colocando-o, em 2021, como epicentro global do vírus. E, consequentemente, as relações de trabalho de milhões de pessoas precisaram parar para a segurança da população. Desse modo, profissões que sofreram mais fortemente os impactos da pandemia, como a dos artistas, em especial os de menor visibilidade, tiveram que se reinventar para enfrentar a recessão econômica e social, encontrando alternativas na forma de trabalhar. 

O Jornal Lampião ouviu artistas e artesãos da cidade de Mariana, em Minas Gerais, para saber como foi – e está sendo – o enfrentamento deste período, no qual os espaços urbanos para produção e acesso cultural estão fechados para evitar a disseminação do vírus. Viviane Carneiro, atingida indiretamente pelo crime socioambiental da Samarco, em 2015, e uma das associadas da Feira de Arte e Ateliê de Mariana (Fam), relata que conseguiu se adaptar à rotina de isolamento. “É um momento muito difícil, tivemos que nos reinventar, fazer nossas atividades pelo modo virtual, porque com a loja fechada, as vendas migraram para as redes sociais”, explica.

porta de atelie
Atêlie em Mariana se mantém de portas fechadas devido às restrições aplicadas pela Covid-19.
Foto: Pedro Henrique Vieira

 

Lives, uma saída, mas para apenas alguns
 

As transmissões via streaming, conhecidas popularmente como lives, são ferramentas de reprodução de áudio e vídeo na internet, em especial no YouTube e Instagram, redes sociais que alcançam milhares de espectadores em tempo real. Grande parte dos artistas no Brasil tem se apresentado por meio de lives, tornando evidente, no meio artístico, um fenômeno que explodiu devido ao isolamento social. De acordo com Jhonatan Mata, professor e pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), só no Brasil, o aumento de conteúdo ao vivo subiu incríveis 4.900%, como mostra análise divulgada pelo próprio YouTube. 

Neste ponto, o pesquisador conseguiu verificar como as lives vêm funcionando como contraponto terapêutico à necessidade de isolamento social. “A arte, muitas vezes esquecida pela sociedade, é, na verdade, um grande apoio para a saúde mental da população brasileira neste momento. Pois, ainda que à distância, traz a sensação de aglomeração. Além de ajudar as pessoas a enfrentar este momento, também surgiram como um modo do artista conseguir trabalhar”. 

Mas, nem todos os artistas podem se apresentar deste modo. Um fator evidente é que, para ter uma live patrocinada, é necessário um nível de alcance que nem sempre os artistas locais atingem, como é o caso de Léo Caballero. Ele produziu transmissões patrocinadas por comerciantes de Mariana e por grandes empresas. “Mas não obtive lucro, pois havia outros custos envolvidos na realização das lives”, explica o cantor. Para os outros artistas procurados pelo Jornal Lampião, esta também não é uma saída, já que eles não se apresentam ao vivo.

Lei Aldir Blanc, um socorro necessário para quase todos
 

A Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, n° 14.017, de 29 de junho de 2020, tem como principal objetivo entregar um auxílio financeiro para trabalhadores e trabalhadoras da cultura com atividades interrompidas, devido aos impactos causados pela pandemia da Covid-19 no país. Desse modo, foram destinados R$3 bilhões para estados, municípios e o Distrito Federal, para a manutenção de espaços artísticos e culturais com valores que variam entre R$3 mil e R$10 mil. Além disso, foi feito um pagamento de três parcelas emergenciais no valor de R$600 para trabalhadores do setor que tiveram suas atividades suspensas. A quantia entregue a Minas Gerais foi de R$134.221.287,61. Só para Mariana, foram  repassados mais de R$400 mil. 

O processo para se beneficiar da lei se deu por meio de ações de fomento, editais lançados localmente, em cada estado e município, em novembro de 2020. De acordo com Xisto Siman, produtor do Festival Internacional de Palhaços, um dos maiores eventos anuais de Mariana, a ideia da Lei Aldir Blanc, desde o início, era que o dinheiro fosse distribuído ao máximo de pessoas, ou seja, que chegasse até às comunidades indígenas, por exemplo. Entretanto, segundo ele, “já pecou no primeiro passo, você tinha que fazer as inscrições por uma plataforma digital, e muita gente não tem acesso à internet. Como incluir esta pessoa em um edital cuja inscrição é pela plataforma digital? É excludente”, explica Xisto, que também é representante do Circovolante – espaço para práticas circenses – na Lei Aldir Blanc.

Geraldino submeteu o seu projeto, conseguiu obter o auxílio e, assim, tem mantido minimamente seus projetos e seu ateliê. Ele, que também é diretor da Associação Marianense dos Artistas Plásticos (Amap), pesquisou bastante sobre o processo para solicitar o auxílio e conseguiu, por meio de editais, uma renda de R$3 mil para os artesãos que fazem parte da associação, visto que os eventos que mantinham o local, a maioria religiosos, não aconteceram em 2020.  Estes eventos – Festival de Inverno da UFOP, confecção do tapete de Corpus Christi, Carnaval, Natal de Luz, Festival da Vida –  podem não ocorrer este ano também. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em todo país, cerca de 700 mil trabalhadores da cultura podem ter sido beneficiados pela Lei Aldir Blanc. Contudo, o cantor Léo Caballero, por exemplo, participou do edital e alega ter entregado toda a documentação necessária, mas, ainda assim, não recebeu um retorno sobre o porquê de seu projeto não ter sido aprovado.

Lei Manuel da Costa Ataíde, uma possível saída para os artistas marianenses
 

A esperança para muitos artistas marianenses que participaram ou não da Aldir Blanc está na Lei Manuel da Costa Ataíde, criada em março deste ano pela Prefeitura de Mariana, por meio da Secretaria de Cultura, Patrimônio Histórico, Turismo e Lazer. Inspirada na Aldir Blanc, a lei apoia, por meio de auxílio emergencial, profissionais autônomos do ramo artístico que tiveram as atividades interrompidas, suspensas ou impossibilitadas pela pandemia. Segundo Cristiano Casimiro, secretário da pasta, o valor disponível em 2021 é de R$5,5 milhões. Nesse montante, cerca de R$900 mil serão destinados para pagamento de três parcelas emergenciais de R$1.200 para pessoas jurídicas e três parcelas de R$1.000 para pessoas físicas. 

quadro informações

Apesar de o projeto ser um possível socorro, críticas relacionadas à burocracia para entrega da documentação foram feitas por alguns dos artistas escutados. Léo, que está participando também deste processo, relatou dificuldade para conseguir toda a documentação necessária e alega que, para artistas com menos conhecimento técnico, ou que não possuam uma equipe, pode ser uma tarefa bastante complicada realizar o cadastro. “Eu tenho uma equipe que me ajuda com isso, muitas pessoas não têm uma assessoria por trás e podem não saber como conseguir toda a documentação que é solicitada”, avalia. 

O secretário Cristiano Casimiro conta que a maioria dos problemas detectados por ele diz respeito justamente à entrega incompleta da documentação necessária para concorrência em editais municipais de apoio à cultura. De acordo com ele, outras questões técnicas também inviabilizam, com frequência, que artistas usufruam de iniciativas do executivo municipal. “A pessoa tem empresa, mas não possui uma conta bancária em nome da empresa. Ou então ele é um microempresário individual, mas não possui alvará de funcionamento, por exemplo”, explica. Por conta disso, a Secretaria prorrogou por um mês o prazo de entrega dos documentos necessários para inscrição.

A artista plástica Linda Viana conseguiu cumprir as etapas para receber o auxílio emergencial proposto pela Prefeitura de Mariana. Mas ela gostaria de ter conseguido este apoio antes. Linda lembra que o dinheiro só chegou depois de quase um ano de pandemia. “Só agora o município está com esta iniciativa, sabe? Antes, foi bem complicado, nós artistas estávamos contando com a ajuda de outros artistas para o fortalecimento de nosso trabalho”, relata. 

De acordo com os dados do Portal da Transparência da cidade de Mariana, em 2020, o valor recebido pela Secretaria de Cultura foi de R$ 11.808.061,17, maior até mesmo do que no ano de 2019, que foi de R$ 11.697.336,21. Contudo, de acordo com o ex-secretário de Cultura, Efraim Rocha, à frente da pasta à época, o valor destinado a uma secretaria não será, necessariamente, usado nas ações desenvolvidas pelo setor. O valor recebido é calculado antes do ano começar, com base nos projetos que a secretaria pretende executar no ano seguinte, mas, caso não sejam realizados, este valor pode ser realocado para outro setor que precise mais. 

Perguntamos ao secretário de Planejamento e Gestão, Marlon Figueiredo, órgão responsável por realizar realocações financeiras, se alguma parcela do valor destinado aos projetos da Secretaria de Cultura em 2020 foi usado para outro fim, devido a falta de eventos. “É possível observar, no comparativo de ações, que houve uma redução de mais de 50% do valor alocado em eventos esportivos e culturais”, confirma. Já para 2021, a gestão municipal optou por transferir o recurso próprio destinado à cultura diretamente para os artistas, via Lei Manuel da Costa Ataíde.

Frente a essa realidade, a equipe de repórteres do Jornal Lampião decidiu conhecer de perto a história de quatro artistas marianenses que estão se reinventando para gerar renda durante a pandemia, sobretudo por meio da arte como ferramenta de interação na internet. 

Geraldino
 

Filho de dona de casa e carpinteiro, Geraldino da Silva começou a trabalhar cedo e, assim, conheceu a arte. Com poucos amigos, fez do lápis e da borracha seus companheiros, com os quais desenhava para se distrair. No primeiro ano de grupo, como assim era chamado na época o ensino fundamental, participou de um concurso artístico no qual o prêmio poderia ser um presente pessoal ou uma tarde de lazer para toda sua turma no colégio. Geraldino ganhou o concurso e, sem pensar duas vezes, escolheu a segunda opção. Notou que a arte o aproximou das pessoas e o fez ter amigos. Parece que aquele episódio rende frutos até hoje: Geraldino ocupa um lugar no qual precisa lidar com muita gente. Ele é diretor da Amap e cuida do seu ateliê onde, antes da pandemia, conduzia o projeto Arte na Praça. A iniciativa é financiada por comerciantes locais e simpatizantes do projeto e ganhou um prêmio através de um edital da  Fundação Renova – responsável pela reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, crime socioambiental cometido pela mineradora Samarco, em Mariana -, contudo, devido a interrupção das atividades, ainda não pode aproveitá-lo. O Arte na Praça envolvia outros artistas da região, com o objetivo de mobilizar crianças em espaços públicos para aulas de pintura, dança de rua e capoeira. 

Com a pandemia, dentro do ateliê, Geraldino recebe apenas quatro alunos por vez, ao invés de 42, como fazia habitualmente. Isso fez despencar sua receita no fim do mês. “Todo artista depende de público, o músico não toca sem o seu. Uma exposição precisa de pessoas para ver sua arte”, explica. O  ateliê, que exalava alegria, agora precisa estar de portas fechadas. “Não tem mais calor humano, nem bate papo, nem tomar café junto. Agora é cada um na sua casa”. Geraldino só conseguiu se manter e sustentar seu ateliê com o auxílio emergencial e a Lei Aldir Blanc, com a qual foi beneficiado em R$3 mil.

Além da falta do contato com o outro, com a crise financeira no país, comprar um objeto artístico torna-se algo quase “superficial”, segundo o artista. “Entre escolher comprar o feijão, arrumar o carro, ou comprar as coisas essenciais, a pessoa vai preferir o essencial. A arte não entra”. Para Geraldino, é necessário que os artistas foquem em aprender a usar a internet, para vender seus produtos e, assim, sobreviver mesmo em tempos de crise, fazendo o que amam. 

 

Viviane Carneiro
 

De geração para geração, Viviane Carneiro encontrou na matéria-prima natural um estilo de vida que aprendeu com sua mãe, Roseli Carneiro. São anos de aprendizado e amor na criação das peças para serem comercializadas. Viviane descobriu, na Feira de Arte e Ateliê de Mariana – FAM, um espaço para potencializar o seu artesanato, conhecer novos associados e trabalhar de forma colaborativa. “A FAM é um espaço de união, de acolhimento”, conta. Atualmente ela é uma das coordenadoras do ateliê.

A FAM foi criada em 2015 com o propósito de ser um lugar em Mariana que apresentasse produtos construídos a várias mãos pelos moradores, incluindo o artesanato, principal porta de entrada do espaço. Desse modo, foi ali que Viviane se encontrou enquanto artista e desenvolveu habilidades que nunca imaginava, por exemplo, o bordado. Ao longo da entrevista ao Jornal Lampião, uma das principais expressões que Viviane disse foi “se reinventar”, o que é necessário, sobretudo, em tempos de pandemia. Mas ela já precisou aprender a colocar esta expressão em prática antes. Viviane foi indiretamente atingida pelo crime socioambiental da Samarco, que aconteceu no dia 5 de novembro de 2015. Até hoje, ela e a mãe não foram indenizadas pela Fundação Renova. O vocábulo tornou-se também fonte de força e fé para superar os obstáculos impostos pelo distanciamento social.

Quando falamos em arte e artesanato, o contato físico é um dos principais meios de aproximação entre artesão e comprador, entretanto, durante a pandemia, essa troca foi bruscamente interrompida para conter o avanço da Covid-19. “Nós tivemos que nos reinventar, esse foi um momento crucial. Todo mundo migrou para as redes sociais”. Dessa forma, Viviane precisou vencer as barreiras impostas pelo trabalho remoto, em especial, para aquelas pessoas que não tinham nenhuma habilidade com tantas tecnologias. 

A venda pela internet foi um dos caminhos que ela encontrou para sobreviver, pois, logo no início da pandemia, em março de 2020, perdeu o espaço da FAM, no Centro Histórico de Mariana. Com a diminuição do número de turistas, o faturamento também reduziu e não foi mais possível pagar o aluguel. “Era um sonho que ficou ali, não teve como. A gente buscou novas alternativas, mas não era a mesma coisa, o mesmo espaço”, conta. 

Viviane continuou os trabalhos em casa. Hoje, colhe frutos positivos do projeto Minha Casa em Mim, desenvolvido pela Fundação Renova, que visa a construção de uma rede colaborativa formada por 175 pessoas, possibilitando a ressignificação de produtos artesanais e agropecuários. Viviane tem esperança em dias melhores e, apesar dos pesares, a palavra gratidão é um conforto em meio a momentos difíceis. “Gratidão por estar viva e com saúde”. 

 

Linda Inês Viana
 

Linda é estudante do curso de Serviço Social da UFOP, mas encontrou nas releituras artísticas um passo primordial para seguir o caminho das artes. Ela está inserida na arte desde a infância, ao acompanhar o trabalho da mãe que estava desempregada, e encontrou no artesanato algo rentável. Aos 8 anos, fez o primeiro curso voltado para pintura em pano de prato e, de lá para cá, vem aprimorando a técnica. Os primeiros trabalhos na área começaram no Centro de Referência à Criança e ao Adolescente (Cria), em Mariana, com oficinas de pintura, acompanhando o desenvolvimento de cada criança de maneira individual. Devido à pandemia, Linda perdeu este emprego. Por isso, hoje, a sua principal fonte de renda é a arte da pintura. “Não porque as condições estavam propícias a isso, mas porque eu entrei em dívidas para dar continuidade ao meu trabalho”, explica.

Para evitar gastos com objetos da linha de produção, Linda reaproveita materiais. Atualmente, busca novas formas de expressar a sua arte. Está se profissionalizando para ser tatuadora, porque, segundo ela, o retorno financeiro é maior. “É um trabalho um pouco mais rentável, não é todo dia que alguém compra uma pintura em tela, não é todo dia que alguém faz uma encomenda muito grande”.

Para Linda, o contato presencial, principalmente durante as vendas, é fundamental, o que agora acontece apenas pela internet. O jeito é “ressignificar as formas de trabalho”, diz ela. Dessa forma, encontra forças para continuar com suas atividades, por intermédio de trocas e união com outros artistas da região, funcionando como uma rede de apoio. “Eu divulgo os trabalhos de uns, eles divulgam os meus trabalhos. A gente estuda junto para evoluir junto”, explica. 

Uma das principais frustrações que Linda vem sentindo é a pressão psicológica e, consequentemente, a ansiedade para produzir.  “Você precisa fazer, porque isso aí é a sua fonte de renda. Você precisa criar. Você precisa de criatividade”, diz. A clientela da Linda cresceu, mas o retorno financeiro ainda não é tão satisfatório. “É bem complicado vender arte, principalmente em um momento como este, em que a gente está muito mais preocupado em ter dinheiro para comprar comida. Mas, ao menos, consegui comprar os meus materiais e dar continuidade ao trabalho”. Com a chegada da vacina, Linda tem a expectativa de voltar a atuar com as crianças. Por fim, acredita que a arte esteve presente em todos os momentos que marcam a humanidade, assim ela também precisa se fazer presente agora. “Precisamos utilizar a arte como ferramenta para falar sobre coisas que não são  vistas”, conclui. 

 

Léo Caballero
 

Léo começou a cantar ainda criança, apaixonado pelo estilo musical sertanejo que carrega de suas raízes familiares. Não se esqueceu desse amor nem mesmo na juventude, quando começou a estudar Medicina Veterinária. Na Universidade Federal de Viçosa (UFV) criou uma dupla sertaneja com um amigo do curso e os dois começaram a animar bares e festas universitárias da região. O artista, que tem 10 anos de música, trabalha há três em carreira solo. Empenhado em crescer, abriu mão de sua profissão de médico veterinário para poder se dedicar exclusivamente à música. Com o tempo, seu nome começou a se consolidar por Minas Gerais, e o cantor passou a receber propostas para tocar em  grandes eventos,  exposições e shows de artistas renomados no mundo sertanejo.

Léo “nunca teve medo das dificuldades” do mundo artístico, contudo, a pandemia foi um obstáculo muito além do que ele poderia imaginar. Apesar de ter sempre um pensamento positivo e acreditar que de toda crise é possível tirar uma solução, para seguir com seus projetos precisou vender seu carro, um bem material importante do qual abriu mão. “Na semana em que teve o primeiro lockdown, eu tinha quatro shows marcados, isso me impactou muito financeiramente”. Com a crise, a falta de eventos e de arrecadação das bilheterias dos shows que fazia, o artista percebeu que, se não começasse a fazer algo, seu nome poderia ser esquecido. Em 2020, o cantor viajou por cidades do interior de Minas, se arriscando na pandemia, para deixar suas músicas de rádio em rádio, a fim de que sua arte pudesse se propagar, mesmo com as restrições do isolamento social. 

Léo acredita haver o que chama de “descaso visível” com a classe artística. Para ele, muitas vezes, as pessoas se esquecem que a arte é que consegue alegrar os dias difíceis que temos vivido. Além disso, a ausência da proximidade com o outro também foi um fator impactante para o cantor. “O público é quem coloca o calor, a emoção, e quem dá o gás pra gente continuar”. Pela falta deste público e pelo descaso notado por ele, o cantor não foi só afetado financeiramente, como também psicologicamente. Antes da pandemia, compunha com frequência. Desde o ano passado, conseguiu criar apenas duas canções.

Apesar de saber que é possível continuar arrecadando algum valor por meio de tocadores digitais, Léo lembra de um fator muito importante: o streaming pode ser lucrativo para o cantor, mas, sem o palco, toda uma equipe fica impossibilitada de trabalhar e se sustentar. “O artista é a cereja do bolo de todo um projeto que há por trás”.

O cantor continua trabalhando para conseguir se manter e manter seus projetos. Léo acredita que, apesar das dificuldades, a pandemia o ensinou a planejar mais a sua carreira. Ele tem bastante fé que com a vacinação da população, poderá, finalmente, voltar a fazer o que realmente ama: subir ao palco.