Abertura do CVV em Ouro Preto fortalece a causa pró-vida na região

Abertura do CVV em Ouro Preto fortalece a causa pró-vida na região

Centro quer mostrar a importância de se falar sobre o suicídio e buscar ajuda

Texto: Túlio Gariglio | Visual: Júlia Militão

Diante da perda de um filho para o suicídio há 2 anos, o geólogo e produtor cultural Ricardo Campolim, 48 anos, passou a enxergar com mais clareza essa realidade e decidiu lutar pela causa pró-vida. Coordenador do Centro de Valorização à Vida (CVV) de Ouro Preto, que irá iniciar as atividades no dia 27 de maio, ele passou a ficar mais atento ao número crescente de casos e tentativas de suicídio na cidade e região.

Ricardo deu início a um projeto com rodas de conversa sobre o tema em 2016, no campus Morro do Cruzeiro da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com o apoio do filho mais velho, Ricardo Gontijo. Junto com um grupo de colegas Ricardo ajudou a organizar as primeiras conversas. Após os primeiros eventos, Ricardo decidiu iniciar o projeto de abertura de um CVV em Ouro Preto.

A taxa de suicídios no Brasil é de 6,5 para cada 100.000 pessoas, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).  A taxa é elevada e vem crescendo (estima-se que o número aumente em 50% até 2020), o que torna a necessidade de medidas preventivas uma questão essencial.

O CVV em Ouro Preto:

O Centro de Valorização a Vida de Ouro Preto (CVV-OP) é mantido pelo Núcleo de Apoio à Vida de Ouro Preto (Naviop). O lançamento oficial do programa foi feito em uma palestra de João Régis da Silva, responsável pela expansão nacional do CVV.

O primeiro Programa de Seleção de Voluntários (PSV) do CVV-OP foi concluído no dia 1o de maio. Foram selecionados 22 voluntários aptos a prestar atendimento. O PSV é um curso de capacitação, de 35 a 40 horas, que tem como objetivo selecionar candidatos a voluntários aptos a prestar o atendimento aos usuários do centro. O programa ocorre pelo menos duas vezes ao ano, ou, idealmente, uma vez a cada quatro meses.

O primeiro evento oficial de que o CVV-OP participou ocorreu no dia 6 de maio, no estacionamento do Centro de Artes e Convenções da UFOP, dentro do evento do Rotary Day. O centro contou com um estande no qual se apresentaram para a comunidade e distribuíram informações sobre seu trabalho, panfletos e adesivos, além de estarem à disposição para prestar atendimento a quem necessitasse.

O centro ocupa hoje uma sala no prédio da estação ferroviária, cedida pela Ufop, que apoia o projeto através da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) e contribui com a comunicação interna e externa, além do fornecimento de material gráfico. Para Ricardo, essa parceria é muito importante: “Temos certeza de que esse é só o início de uma parceria e que a Ufop também percebe e está sensível a esse aumento crescente dos casos de suicídio dentro do ambiente universitário e na região como um todo”.

Os voluntários

Gisele é voluntária no atendimento e secretária do CVV-OP. Ela ficou sabendo do projeto a partir da divulgação do Naviop pela internet, e decidiu passar pelo programa de seleção de voluntários. Depois de um mês de treinamento e de uma avaliação, está apta a participar.

Ela conta que o CVV precisa realizar periodicamente alguns eventos para se manter em Ouro Preto: ”No dia 20 de maio vamos realizar uma feijoada beneficente no Buffet Sabor e Arte, em Saramenha, com shows e sorteio de brindes, e contamos com a presença de todos para nos apoiar”.

Lia, de 44 anos, também é voluntária do CVV-OP. Ela foi voluntária por um ano no CVV de Campinas e gostou muito da experiência. Logo que viu as chamadas para o voluntariado na internet se inscreveu no programa de seleção.

Para ela, atuar no CVV é diferente de qualquer outro trabalho voluntário: “É um princípio de vida, você muda alguns conceitos nesse processo, principalmente por que temos uma sociedade com muito pouca escuta.”

O CVV

O Centro de Valorização à Vida foi fundado em São Paulo, em 1962, e é uma associação civil sem fins lucrativos, reconhecida como de Utilidade Pública Federal desde 1973. O centro presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.

O CVV hoje conta com 89 postos de atendimento, espalhados por vários estados do Brasil. Os contatos são feitos pelo telefone 188, que funciona 24 horas sem custo de ligação, ou 141, para os estados da Bahia, Maranhão, Pará e Paraná. O atendimento também pode ser feito presencialmente nos postos de atendimento, ou pelo site, por chat, skype e e-mail.

Além dos atendimentos, o CVV promove atividades relacionadas a saúde mental e apoio emocional abertas à comunidade em todo o país.