A peleja de uma terapeuta em tempos de Covid

Colagem
Para Suzana Gontijo, figuras como as de Nise da Silveira, Lélia Gonzales e Marielle Franco são formativas em sua trajetória como terapeuta ocupacional, mulher e negra na luta antimanicomial. No caminho, música e literatura se tornam importantes aliadas para enfrentar as políticas de extermínio em voga no país. Foto: Montagem de Marcelo Afonso com imagens de Jarbas Oliveira, Acervo Arquivo Nacional, Carlos Figueroa, Mídia Ninja, simenon, Bruno Figueiredo, Cezar Loureiro e Isabela Kassow.
PRODUÇÃO: MARCELO AFONSO
 

O primeiro caso de covid-19 naquele ano foi confirmado em rede nacional. Na tevê, as atualizações constantes do noticiário apontavam para um senhor de São Paulo que havia viajado para a Itália. A terapeuta ocupacional Suzana Gontijo, de 37 anos, soube, então, das mortes subsequentes, notificadas em hospitais públicos de São Paulo e Rio. “Quem dá o tom do negócio nessas situações é a Saúde Pública”, pensou, preocupada ante o “caráter privatista” do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e a condição de precariedade dos lares do país. “Atendo pacientes que moram com outras 15 pessoas, são auxiliares de serviços gerais, motoristas, balconistas… como vão aderir ao isolamento social?” A resposta não veio.

Era 20 de março de 2020 e o genocídio da população brasileira tinha em sua conta 11 mortos. Ainda naquela sexta-feira, ela se lembra bem, uma portaria do Ministério da Saúde havia confirmado a transmissão comunitária do novo coronavírus em todo o Brasil. Em bom português: já não era possível rastrear quais as origens das infecções. O anúncio alimentou o desalento da equipe interdisciplinar do Centro de Atenção Psicossocial (Caps II) de Ouro Preto, uma “segunda casa” para Suzana. Não houve direcionamento das autoridades responsáveis, e o álcool gel, assim como as máscaras, chegaram com semanas de atraso. Como profissional da saúde, ela acreditou que receberiam da Vigilância Sanitária uma visita. Seria preciso avaliar, afinal, quais procedimentos seriam mantidos e quais seriam suspensos. Ledo engano. A visita, também, nunca veio.

Durante os anos de graduação, Suzana conta que jamais imaginou enfrentar um vírus desconhecido “assim, de corpo exposto”. De fato, a formação do Terapeuta Ocupacional tem base numa ementa que vai do “conhecimento de fatores socioeconômicos, culturais e políticos”, até a avaliação e acompanhamento “de pessoas portadoras de alterações cognitivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos ou traumáticos”. A solução, diz cabisbaixa, foi tomar a iniciativa de “escrever no papel” a sua rotina e a de seus colegas para adaptar todos os protocolos da unidade à pandemia, aproveitando das ferramentas disponíveis, “que eram escassas, muito escassas”.

Começou com o básico: os atendimentos iniciais seriam conduzidos por uma janela. As pessoas aguardariam nos jardins, em cadeiras espaçadas, seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde. Um borrifador com álcool 70 foi “arranjado” e todos, sem exceção alguma, deveriam lavar a sola dos sapatos em uma solução de água sanitária. Só assim, garantiu, entrariam no casarão colonial que faz a sede da Casa dos Artistas – nome afetuoso dado ao prédio em 2019, para diferenciá-lo dos “irmãos” Caps Álcool e Drogas e Caps Infantojuvenil.

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É válido dizer que todos os nossos dois “encontros” aconteceram de maneira remota. Eu moro em Varginha, sul de Minas. Ela, em Ouro Preto, região central do estado. Uma viagem de carro entre as duas cidades teria a duração de cinco horas e meia, aproximadamente.

Nos falamos em março de 2021. Um ano se passou desde os primeiros casos da doença e as coisas permanecem as mesmas, só que piores. “Uma merda sinistra” leva embora mais de 2 mil vidas diariamente – a figura de linguagem é dela, não encontrei outra melhor. Romeu Zema, governador mineiro, anunciou em coletiva de imprensa que todos os 853 municípios estão com as atividades restritas àquelas essenciais. Qual o motivo? 285 mil mortos (e contando) em todo o país. É o que chamam onda roxa, a pior fase de todas, “até agora” – novamente, o comentário um tanto pessimista é de Suzana. Penso que não há como ser diferente. 

Ligamos a câmera e ela aparece. Está sentada, abraçando as duas pernas. Uma faixa vermelha (são muitas como essa, das cores mais sortidas) amarra o cabelo cacheado em um coque. Usa um piercing no lábio inferior e tem atrás de si duas guitarras, dois tambores e parte de um maciço guarda-roupas. Ela sorri… Pergunto como foi a semana, temendo investir no óbvio. Mas, para a minha surpresa, ela responde: “Foi tranquila”.

Com as orientações da Prefeitura ante a imposição das medidas restritivas da onda roxa, a equipe da Casa passou a ligar para todos os usuários, explicando a falta de leitos nos hospitais, as novas mutações do vírus, os riscos aos quais todos estavam expostos. “Mantive comigo os pacientes com ideação suicida”. Outros, continua, “se me falassem assim: ‘Ah, não tô bem de jeito nenhum’, trouxe para perto de mim”. Já os “jovens adultos”, aqueles com mais de 65 anos e também mais vulneráveis aos sintomas da doença, têm o privilégio do atendimento em casa, se acharem necessário. “Hoje mesmo acompanhamos um dos nossos. Estava em crise e não aceitava ajuda alguma. Conduzimos ele e a família até a Santa Casa de Ouro Preto”. Ela se mostra satisfeita com o trabalho, e eu, com a entrevista.

Por vezes, devido à baixa qualidade da conexão à internet, fomos impedidos de ver um ao outro de modo satisfatório. Não raro, foi a voz quem deu margem à imaginação.

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Suzana nasceu e cresceu em um pequeno prédio residencial do Sagrada Família, bairro tradicional da zona leste de “Beagá” e também o mais populoso da capital mineira, onde dona Augusta Gontijo mostrava à filha fotos antigas de seu trabalho na enfermaria do Instituto Raul Soares. Eram todas tristes, porque “instituto é só um nome bonito para manicômio”. Das lembranças que a mãe contava, apenas uma era gostosa de ouvir: “Tinha essa foto, a gente conseguia ver a terapeuta ocupacional tocando um violão assim, e os pacientes em torno dela parecendo mais felizes”. As cenas da menina que ouvia da mãe os casos do hospital psiquiátrico se passaram junto com os anos noventa. “Mas ficou ali uma admiração”. Tal foi que em 2005 ingressou para o curso de Terapia Ocupacional na Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG. A mãe foi de todo apoio. Exigiu apenas que a filha corresse atrás do emprego após a formatura. Já o pai, seu Jaci, ficou algo incomodado. Queria para a caçula uma carreira que rendesse algum “retorno”. “Você se daria melhor como advogada”, dizia.

A pressão era grande. Pudera. Maurício, o primogênito de 42 anos, foi o primeiro de toda a família a entrar para o ensino superior, também na UFMG. Marcelo, 39, foi o sexto no vestibular para Direito, o segundo curso mais concorrido da mesma universidade, atrás apenas de Medicina. “Aí veio a minha vez de prestar a prova e fiquei com essa bigorna em cima da cabeça: eu tinha que passar”.

Os pitacos familiares acabaram influenciando os primeiros passos acadêmicos da jovem, ela assume. Sonhou em ser médica, mas não acreditava em sua capacidade de vencer o vestibular. Seria convocada, mais tarde, para a segunda fase do processo seletivo para o curso de Direito, mas cabulou o exame displicentemente.

Havia decidido encarar, enfim, os anos de graduação na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG. Lá, duas coisas dariam o tom de sua trajetória. Em primeiro lugar, as mulheres eram a esmagadora maioria. Em segundo, dentre os mais de 40 colegas de classe, apenas três eram negros –  ela inclusa. No entanto, foi neste mesmo cenário (pouco estimulante, ela afirma) que surgiu a imagem de Nise da Silveira. Foi a história da médica alagoana, reconhecida por sua oposição aos procedimentos invasivos contra pacientes com transtornos mentais, que reforçou uma das “certezas de vida” da estudante. “Já soube ali, no primeiro período, que trabalharia com saúde mental”, riu.

Foi então se envolvendo na militância, “muito forte em Beagá”, na luta pelos direitos das pessoas com sofrimento mental. Não perdia nenhum 18 de maio, Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Se tinha reunião na Câmara dos Deputados, estava lá, firme e forte. Resignada, viu suas escolhas refletirem sobre os estágios desenvolvidos nas clínicas de aprimoramento, obrigatórias para a colação de grau: acompanhou a rotina de profissionais e pacientes do Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam), da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e do Ambulatório Bias Fortes – experiências que ensinaram boa parte do que sabe acerca do funcionamento do Sistema Único de Saúde e aos quais será “eternamente grata”.

Com o fim da graduação em 2011, veio a constatação de que a cor dos novos estudantes da Escola não mudara muito. Mesmo porque as políticas de ações afirmativas que garantiriam o ingresso de populações historicamente marginalizadas ao Ensino Superior, “leia-se pessoas pobres e pretas”, entrariam em vigor, timidamente, apenas no ano seguinte, em 2012. Sabendo das dificuldades que enfrentaria “uma recém graduada sem dinheiro e negra”, tratou de garantir a aprovação em concurso público para a Prefeitura – foi a sexta colocada dentre outros 304 participantes, dos quais apenas 13 seriam convocados. O que não lhe foi suficiente. Se sentia “decepcionada” com o novo feito, pois passou a desenvolver atividades diferentes daquelas que se preparou para exercer. A solução foi continuar “concurseira”.

“Eis que num belo dia, recebo a ligação da supervisora do Centro de Atenção Psicossocial me perguntando assim: ‘Ó, cê não vai vir, não?’. Caí da cadeira, porque nem me lembrava daquilo” – se referindo ao concurso prestado para ocupação de vaga em Ouro Preto. No mesmo dia, arranjou uma mochila e se preparou para o trajeto que duraria umas duas horas. A mãe, desta vez, ficou indignada. Não concebia o fato de que a filha fosse abandonar um cargo público na capital para se arriscar em uma cidade “tão pequena”. Mas como nos diz o provérbio, “o que está feito, feito está”. 

Colagem Suzana
A terapeuta ocupacional Suzana Gontijo foi entrevistada pelo Lampião via Google Meet. A intervenção nas capturas de tela contorna um problema que enfrentamos durante toda a edição do jornal-laboratório: as distâncias. Foto: Montagem de Marcelo Afonso.

Suzana mudou-se de Belo Horizonte para Ouro Preto em 2013. Oito anos depois, se diz acostumada ao frio e às ladeiras tortuosas da cidade histórica. Para morar com o companheiro Bruno Souza, 35, e com a filha Aurora, de quase 4 anos, escolheu uma casa a dois minutos do trabalho, no alto do bairro Água Limpa. 

Quando lhe pergunto sobre a labuta “pré-pandemia” em um Centro de Atenção Psicossocial, ela responde incisiva que pode falar apenas de sua experiência: “Cada Caps é um Caps”. Quer dizer, cada instituição se desdobra com a expertise de seus funcionários, e também com a sua boa vontade. “Quase um fazer das tripas o coração”. Mas a primeira coisa importante a se considerar a respeito, é sua proposta de evitar as internações compulsórias de pessoas com sofrimento mental em asilos e manicômios – coisa comum entre os séculos XIX e XX.

Desde a fundação do primeiro “Centro”, em 1986, outras mais de seis mil unidades foram espalhadas por todo o território brasileiro. Tentando cumprir com a filosofia da Reforma Psiquiátrica da época, o novo modelo de atenção psicossocial se posicionava contra os três fundamentos da psiquiatria de então: a patologização dos transtornos mentais – “depressão, ansiedade, mania, dê um nome e vai existir algum remédio para tanto, por vezes o tratamento é o próprio tratamento, um ciclo vicioso, entende?”;  o isolamento dos usuários – “ou seja, tiramos a pessoa do ambiente que a adoeceu e a trancamos em um outro, supostamente esterilizado, um depósito de gente”; e, finalmente, a despersonalização – “isolada em um manicômio, a pessoa usa um uniforme igual ao de todo mundo, come a comida que lhe é servida, não tem seus anseios respeitados, por aí vai”.

Por outro lado, e somando-se aos esforços de todas as profissões ligadas ao bem-estar psicológico, a “Casa dos Artistas” de Ouro Preto se propõe a acompanhar pessoas com sofrimento mental que, porventura, enfrentam algum nível de dificuldade em desempenhar tarefas cotidianas, como tomar banho, trocar de roupa, cozinhar as próprias refeições, usar o transporte público, ir ao banco, brincar, se divertir. Depois… bem, depois vão embora cada uma para a sua casa. “Atividades fundamentais como essas podem se transformar em verdadeiras barreiras ao convívio social, mas são reaprendidas com a equipe do Centro e em liberdade. Está aí o trunfo do SUS e da luta antimanicomial”. São atendimentos individuais, orientação familiar, grupos terapêuticos e a inclusão em projetos sociais da cidade. “Deixamos a especialidade de lado e nos colocamos de peito aberto a quem vier precisar de nós. Depois as pessoas vão embora, dizem que não precisam mais da gente, só que permanecemos por aqui. Isso não é lindo?”

De repente, quem aparece para participar da conversa é Aurora. Eufórica, ela escancarou a porta do quarto, fazendo festa para Radha – a vira-lata de idade indefinida que entrou para a família em 2014. “Quando a chuva passar vamos dar banho na Radha. Quando a chuva passar… E se a chuva não passar, a gente vai dar banho no chuveiro”. E ria, bem gostoso; com a cachorra em seu encalço, que latia, bem gostoso. Digo a Suzana para deixar o microfone ligado. Afinal de contas, a festa inesperada preencheria alguma parte deste perfil (como veem).

Ligamos novamente a câmera e me aparecem as duas, com as cabeças lado a lado. Pergunto a Aurora como está. Ela olha de esguio para a mãe, constatando que um “estranho sabe o seu nome”. Rimos todos juntos, Suzana e eu. “Ele não é um estranho, filha. É o Marcelo, está escrevendo uma história sobre a mamãe”. Aurora olha para a tela mais uma vez, desconfiada, e decide ir embora. Pois sim, o banho em Radha (no chuveiro) certamente daria um melhor programa.

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Para retomar um diálogo próximo aos assuntos do noticiário, pergunto a Suzana se assistiu ao discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, quando da anulação das condenações que sofreu durante a Operação Lava Jato. Não à toa. Nosso segundo “encontro” estava marcado para o 11 de março – um dia depois de um dos principais momentos políticos da pandemia de Covid-19 no país: Lula se posicionou à favor das vacinas, do uso de máscara e do distanciamento social, fazendo com que as comparações ao atual (e negacionista) Presidente da República fossem inevitáveis. A pergunta, percebemos, aflorou o lado “militante” da entrevistada.

Antes, um adendo: ela não acompanha os noticiários da tevê. Acaba se frustrando com o modo como as coisas são contadas. “Você é jornalista, sabe do que estou falando”. Sem saída, assumo a culpa dos colegas de profissão. Cansada de todos os cuidados rotineiros exigidos pela pandemia, com o “trabalho” e com o “trabalho de casa”, prefere manter a “cabeça fresca”. É verdade que de vez em quando assiste ao Bom Dia Minas, mas apenas para se inteirar do que acontece em sua terra. Afora isso, prefere acompanhar “jornais engajados com as questões que importam, com o Brasil e com a coisa pública” nas redes sociais.

“Olha, Marcelo, me filiei ao Partido dos Trabalhadores assim que completei os meus 18 anos. Lembro de quando Lula ganhou as eleições presidenciais de 2002, sabe?” Aqui, ela enquadra uma tela imaginária no ar e seus olhos brilham. Ela se lembra de um comício do qual participou com uma amiga, na Praça 7 ou no Minascentro, ela não tem certeza. “Saímos do cursinho pré-vestibular e na rua todos estavam em polvorosa. Abraçando um ao outro, tipo um final de missa”. A imagem me emociona. Ela continua: “Meu sentimento era de pura esperança”.

De lá para cá, contudo, muita coisa mudou. Não participa da militância organizada, de nenhuma natureza, e diz que se desvinculou do Partido anos atrás. Ouviu do pai que era “muito polêmica” e, em meio ao deboche e a preocupação dos irmãos, ouviu que acabaria “levando borrachada da polícia”. Essas e outras coisas, “como ter me tornado mãe da Aurora”, direcionaram as pautas da terapeuta para a assistência humanizada ao parto e nascimento, para rodas de conversa sobre “o medo da dor, sofrido por gestantes de primeira viagem”, e para os estudos acerca dos cuidados especiais do puerpério.

Entretanto, Suzana enxerga no legado do ex-sindicalista grandes conquistas. Diz que ele leva consigo o mérito de botar as crianças pobres para dentro das escolas e de livrar o país da fome. “Tendo passado por diversos Centros de Referência em Assistência Social, vi de perto a mudança que o Bolsa Família proporcionou às pessoas de baixa renda, principalmente às mães solo. Os governos de esquerda das últimas décadas fizeram muito bem ao Brasil”, termina saudosa e ri para a câmera.

Apesar disso, se perguntarem a ela se Luiz Inácio é culpado por qualquer uma das coisas que afirmam sobre ele, Suzana não sabe responder. “Mas para mim é nítido que ele teve um julgamento injusto. E é muito frustrante perceber que não há nenhum fato novo na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal”, Luiz Edson Fachin, “em suspender as condenações. Tudo sempre foi indicado por Lula e por toda a sua equipe de defesa, não foi? Então o que aconteceu?” Mais uma pergunta sem resposta – mas, apenas por enquanto, o otimismo agora é meu.

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Com planos para um café com pão de queijo em tempos mais alegres, Suzana e eu continuamos trocando mensagens. Alguns dias depois de nossa última conversa, em uma tarde de sábado, ela me enviou um vídeo de seu Instagram, publicado em fevereiro deste ano. Era Aurora, entoando uma versão feminista de Bella Ciao, popular canção italiana que ganhou novo fôlego com a série de tevê La Casa de Papel. Na legenda do post, a mãe explica que ouviram a música durante o bloco belorizontino “Sagrada Profana”, durante o Carnaval de 2019, e se derrete com a militante em miniatura: “Eu tô in love com esse vídeo e não tinha como não compartilhar com vocês”.

Eis os versos, ligeiramente adaptados: “Numa manhã, eu acordei e ecoava #EleNão! #EleNão, não, não! Uma manhã, eu acordei e lutei contra um opressor… Somos mulheres, a resistência, de um Brasil sem machismo e sem ioiô… Vamos à luta para derrotar o ódio e pregar o amor. FORA BOLSONARO”. De volta ao WhatsApp, a mãe me pergunta honrada: “Você acha que minha filha também vai levar borrachada? Sim ou com certeza?”

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Ao chegar em casa do trabalho, depois de cumprir com os cuidados exigidos pela pandemia, Suzana gosta de ouvir música. Pode ser alto, no aparelho de som; ou pode ser baixinho, com um fone de ouvido. Perguntei a ela quais músicas geralmente não saem de seus tocadores, e ela deu algumas dicas. Montamos a playlist abaixo, com 15 músicas de Milton Nascimento, Cartola, Paulinho da Viola, Maria Bethânia, Emicida, Gilberto Gil e outros. Para ouvir basta dar o play. Esperamos que você goste.

Leia aqui o perfil de outra trabalhadora essencial, a farmacêutica bioquímica Samantha D’Angelo: Heroína de capa branca.