3 anos de Crime

O desastre

Em novembro de 2018, completam-se três anos do maior desastre ambiental do Brasil. O rompimento da barragem de minério de ferro da mineradora Samarco, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, despejou um mar de lama que se arrastou pelas águas do Rio Doce e seus afluentes até o litoral do Espírito Santo. A superfície coberta pela lama ficou infértil, o minério modificou o pH do solo e causou uma destruição química que atingiu a vegetação e devastou boa parte da mata ciliar por onde percorreu.

Veja aqui o antes e depois da região de Bento Rodrigues

Danos infinitos

Há números que estimam os prejuízos ao meio ambiente, mas não se sabe quais as extensões e nem tampouco quando serão sanados. Em 2015, um mês após o rompimento da barragem de Fundão, a Rede UFES publicou um relatório  detalhando os principais danos ambientais causados pela lama. O ecossistema marinho foi um dos mais afetados. Com a água poluída e as espécies mortas, em 2018, atingidos que dependiam do Rio Doce para o seu sustento permanecem com as atividades interrompidas.  

A lama no mar

Percorrendo o rio, a lama chegou na foz no Rio Doce e se espalhou pelo litoral do Espírito Santo, deixando também a região de Abrolhos, na Bahia, sob risco. As atividades de pesca, agricultura, esportes aquáticos, entre outras, ficaram comprometidas em Regência, distrito de Linhares. Um trabalho realizado em parceria com o Grupo de Estudos e Pesquisas em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento no Espírito Santo, apontou os impactos socioambientais causados pela lama na região. Hoje, três anos após o rompimento da barragem, pesquisadores trabalham na avaliação da água e das espécies que habitam o curso poluído.

Saúde comprometida

A concentração de metais pesados na lama que ficou depositada em regiões atingidas pelo rompimento afetou não só o meio ambiente, como também a saúde  da população. Em distritos próximos a Bento Rodrigues, famílias não saíram de suas casas e alguns moradores vêm sofrendo com complicações respiratórias causadas pela poeira do processo de retiragem da lama. Além disso, o diagnóstico de alergias e contaminação no sangue de residentes tem sido comum.

Reparação

Segundo o secretário de Meio Ambiente de Mariana, Rodrigo Carneiro, a Prefeitura não tem condições para custear medidas de reparação. Ele afirma que o papel do Governo municipal neste momento é acompanhar o trabalho da Fundação Renova e, disse ainda, que muito pouco foi feito. A Fundação foi criada pelas empresas Samarco, Vale e BHP Billiton para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem. Através de sua assessoria, a Renova respondeu às questões sobre o andamento das reparações e alega que uma série de ações estão sendo desenvolvidas para a recuperação ambiental.

Ouça o áudio da reportagem no Próximo slide.

Texto: Larissa Chaves

Fotos: Stênio Lima

Edição: Narrian Gomes